A outra face

A varredura do governo Casagrande na gestão de Paulo Hartung traz à tona um legado negativo do ex-governador

Sem poder contar com os artifícios gerados para favorecer quem está no comando da máquina oficial, com plenos poderes que o elevaram à condição de modelo de gestor público, o ex-governador Paulo Hartung começa a ter outra face revelada por inteiro. 

Faz parte de um processo iniciado, efetivamente, na segunda metade de seu terceiro mandato, motivo maior da desistência à reeleição. A partir da greve da Polícia Militar, em fevereiro de 2017, o desgaste do então governador ganhou mais intensidade, alcançando níveis impossíveis de serem contidos com as ações midiáticas. 

Essa outra face vem à tona, com força, por meio dos primeiros atos do governador recém empossado, Renato Casagrande (PSB), direcionados para a realização de um levantamento minucioso da gestão passada. 

Ao cancelar contratos formalizados no governo anterior e adotar medidas de enxugamento da máquina pública, Casagrande inicia uma análise fria de como realmente se encontra o Estado, no que se refere de oferta de serviços à população, investimentos e questões relacionadas a áreas essenciais à sociedade. 

Paralelamente, opositores de Hartung, como o deputado estadual Sergio Majeski, do mesmo partido do governador, se encarregam de apresentar números, via redes sociais, extremamente negativos. Segundo o parlamentar, setores como educação foram prejudicados por um modelo inadequado, colocado em prática sem qualquer abertura de diálogo e, mais grave, com desconhecimento da realidade, principalmente no meio rural. 

Desse modo, o Espírito Santo contabiliza depois de Paulo Hartung 41 escolas fechadas, 60 mil jovens em idade escolar fora de salas de aula, turno noturno desativado em cerca de 150 escolas e sucateamento de programa como o EJA.  

Além disso, o Estado desviou R$ 2,7 bilhões referentes aos 25% obrigatórios para a educação, segundo a Constituição Federal, para serem aplicados em outros setores, principalmente no setor previdenciário dos servidores públicos. Essa denúncia se encontra na Procuradoria Geral da República. 

Em seus primeiros pronunciamentos, ao ser empossado, o governador Renato Casagrande afirmou que pretende governar para toda a sociedade, mas fez questão de destacar os mais necessitados, as camadas mais pobres da população, que sofrem com a desativação de programas sociais. 

Nesse contexto, o Estado ocupa os  primeiros lugares no ranking de morte por assassinato de jovens entre 12 a 19 anos, predominantemente negros. Essa varredura na gestão passada chega em um momento em que o descaso é observado não somente nesses setores, mas em toda a máquina pública. 

Isso inclui a Secretaria da Fazenda, cuja estrutura está sucateada, de acordo com denúncia dos auditores fiscais, sem capacidade de ampliar os níveis de arrecadação e combater a enorme sonegação de impostos, de mais de R$ 5 bilhões por ano.
 

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