A política e os poker face

Transferência de atribuições de César Colnago deixa o terreno limpo para movimentações de 2018

Afinal, o que se esconde por trás do jogo político?  Um enigma difícil de ser desvendado, tal e qual uma mesa de pôquer, onde os jogadores, os poker face, dissimulam o tempo todo a fim de deixar o adversário perdido, sem saber para onde ir. Nos arranjos políticos, a coisa funciona mais ou menos desse modo. 
 
Nem sei jogar pôquer, o que pode soar estranho em um texto sobre política, mas que as coisas são extremamente parecidas, isso são, em termos comparativos com um estudo que me cai às mãos. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que o poker face verdadeiro, aquele ideal para blefar e ser bem sucedido, “deve conter traços relacionados à confiabilidade", tipo confie em mim, sou seu amigo, não vou lhe fazer mal. 
 
Sem nenhuma alusão à conotação negativa do estudo, essa figura foi a que me veio à mente ao ver aprovada pela Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (13) , a transferência de atribuições do vice-governador, César Colnago (PSDB), especialmente a Coordenação Estadual sobre Drogas, para o Sistema Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas, com status de subsecretaria. Combate às drogas à parte, de real mesmo, a mudança deixa o terreno limpo para o vice-governador se movimentar livre do risco de queimação junto ao eleitorado, embora os jogadores afirmem o contrário. 
 
Mesmo quem está de fora da cena política pelo menos desconfia que o que está sendo jogado é a eleição majoritária de 2018. Com essa alteração na estrutura do governo, Colnago surge como potencial candidato à sucessão, jogando o jogo de Hartung. Com enorme capacidade de articulação, o vice-governador reúne todos os atributos para ser a carta da vez.
 
Ele deve assumir o governo em abril de 2018, a oito meses do fim do atual mandato, e sair para a eleição, permitindo, desta forma, a candidatura, no caso ao Senado, do governador, situação que pode ser viável, ainda mais se o senador Magno Malta sair como vice na chapa presidencial de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), como ele deseja, limpando mais o caminho. Além isso, Hartung ainda vislumbra alguma chance na política nacional, como vice na chapa de alguém  E corre atrás. 
 
Esse quadro é possível, levando em consideração que Hartung não vai lá muito bem das pernas em termos de prestígio político no Estado, o que dificultaria sua reeleição, principalmente no interior, por conta  de desgastes de jogos malsucedidos e de investidas  de adversários de peso.
 
Entre eles, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), que bate perna sem parar, a senadora Rose de Freitas (PMDB) e o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB). Casagrande ataca no interior do Estado, enquanto Rose se aproxima do prefeito de Serra, maior colégio eleitoral do Estado, Audifax Barcelos (Rede), e tenta afirmar-se como candidata ao governo. Ela conta ainda com grande prestígio junto aos prefeitos, decorrente de verbas descoladas em Brasília. 
 
A senadora se  movimenta bem, como hábil poker face, e pode se tornar favorita no jogo. Majeski dissimula e, como bom jogador, não diz o que pretende. Aguarda um cochilo, um passo em falso ou uma piscadela dos outros jogadores para definir a carta a ser jogada.
 
Este é o cenário atual para as eleições de 2018. Em paralelo, os prefeitos de Vila Velha, Max Filho (PSDB), e de Serra, Audifax Barcelos, guardam as cartas e montam seu jogo, escolhem parceiros, à espera de 2022. É jogo pesado, com apostas valiosas. Os poker face jogam para valer, cada um querendo decifrar o enigma do outro e, assim, ganha o mais sabido, aquele  que esconde o jogo até a cartada final.
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