A tarefa de Aridelmo

Aridelmo Teixeira, candidato do PTB ao governo, representa o "americanismo" no Estado

A consolidação da candidatura do empresário e professor Aridelmo Teixeira (PTB) ao governo do Estado possui características que demonstram claramente as deformações no contexto político partidário do País e que traduzem o sequestro de ideologias, tanto à direita quanto à esquerda. 

Como indicadores só levam em conta fatores que se encaixem em interesses individuais ou de pequenos grupos, as metas estabelecidas perdem a essência inicial e vão se amoldando a quaisquer programas e projetos. Nesse contexto, a visão de mundo oscila e muda conforme a valsa.

O empresário concorre pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), agremiação fundada pelo ex-presidente Getúlio Vargas entre as décadas de 30 a 40, controlada atualmente pelo ex-deputado federal Roberto Jeferson, que cumpre pena como réu do Mensalão em regime semiaberto, no Rio de Janeiro, e por sua filha, a deputada Cristiane Brasil, aquela que esteve para ser ministra do Trabalho, mas se enrolou antes de assumir o cargo. 

A sigla há muito tempo perdeu a ideologia trabalhista que a criou, mas, apesar disso, tem poder de mando no Ministério do Trabalho, embora atue contra a classe dos trabalhadores, como pôde ser visto na aprovação da recente reforma das regras disciplinadoras das relações de trabalho no Brasil.  

Pior que isso, o PTB é um das vários partidos cooptadas por lideranças empresariais que funcionam como canal de disseminação do  “americanismo”, principalmente o relacionado ao controle da gestão pública pelo mercado. 

É a visão de programas popularizados por meio de sofismas da moda como “Empreendedorismo”, “Jovens para o futuro”, entre outros, como forma de possibilitar a execução de políticas públicas para manter juros altos, e, por meio delas, garantir a manutenção de um modelo gerador de desigualdade e pobreza. 

Presidente licenciado da ONG ES em Ação, que reúne o alto empresariado, o candidato Aridelmo tem ligações com o instituto Millenium, organização político-empresarial bancada por líderes de grandes corporações (Gerdau, Globo, Abril, Banco Pactual, Banco BBM, Banco CSFB, Grupo Ultra, Petropar, Odebrecht, JP Morgan, entre outras). 

O grupo é gerido pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que diz ter como objetivo “difundir conceitos como liberdade individual, propriedade privada, meritocracia, estado de direito, economia de mercado, democracia representativa, responsabilidade individual, eficiência e transparência”. 

Fraga é um dos conselheiros do governador Paulo Hartung, que implementou no Espírito Santo uma política atrelada ao mercado, com privilégios às grandes corporações industriais e, também, às entidades de classe dos varejistas, ao mesmo tempo em que promove arrocho fiscal, achatando salários e cortando avanços sociais.

A gestão Hartung foi considerada modelo por veículos de imprensa de circulação nacional, entre eles Folha de São Paulo, Globo e O Estado de São Paulo, também filiado ao Millenium, que reúne ideias e conceitos nascidos na universidade de Harvard, nos Estados Unidos, como tentativa de reinventar o capitalismo. Talvez isso explique.

Mais do que um anteparo aos desmandos da gestão Hartung, por isso ele bate no líder das pesquisas ao governo do Estado, Renato Casagrande (PSB), Aridelmo representa a figura do semeador no Estado dessa “nova” política, que nada mais é do que um reforço ao poder do mercado no direcionamento da sociedade. 

Não tem chance de ganhar a parada, mas deixa a marca, para novas investidas, com o terreno já amaciado. 

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