A Unanimidade balança

Novos atores da cena política deixam o empresariado capixaba numa encruzilhada para garantir manutenção do sistema de poder dos governos Hartung e Casagrande

A permanente disputa entre o governador Paulo Hartung e o ex-governador Renato Casagrande (PSB) não passa de uma briga de facções de um sistema político que foi montado há tempos e ao qual deram o nome de Unanimidade. O resultado foram os três mandatos de governador para Hartung e um para Casagrande.
 
O sistema político Unanimidade tem, ainda, como uma de suas sustentações, a ONG Espírito Santo em Ação, instrumento de organização de parte do empresariado capixaba que se locupletou dos deferimentos fiscais, com um enriquecimento como nunca antes ocorrido no Estado, o que se encontra, neste momento, correndo o risco de se desfazer, diante do confronto entre Hartung e Casagrande. 
 
São os próprios empresários que trabalham a ideia de juntar Hartung e Casagrande neste processo eleitoral que se descortina. Já obtiveram algum êxito, fazendo com que os dois evitassem o confronto público, isto é, não se falam, mas tomam atitude de um zelando pelo outro.
 
Se for puxada toda esta história, que vem desde o primeiro mandato de Hartung, vamos nos deparar com muitas benesses que o governo de ambos criaram para estes empresários organizados na ES em Ação. Os mesmos empresários cumpriram bem o papel de financiar as campanhas eleitorais realizadas até hoje.
 
A ruptura entre Hartung e Casagrande, em 2014, quebrou o pacto. Hartung, ao disputar o governo, quando a vez era de reeleição de Casagrande, colocou em risco um projeto no qual não cabem confrontos entre eles. Entretanto, já há muitas rusgas, sobretudo decorrentes de Hartung ter tentado afogar Casagrande com o discurso de que ele quebrou o Estado. 
 
Emendar tudo isso agora não parece uma tarefa muito fácil, mas não impossível, a política já nos ensinou. O empresariado se esforça para que possa criar um grau de tolerância mútua entre os dois, evitando que o poder caia em mãos estranhas, diante do surgimento de figuras novas e ameaçadoras para eles, como o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), o prefeito da Serra, Audifax Barcellos (Rede), e o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB).
 
Esta situação mudou até o percentual dos participantes do processo eleitoral, a ponto de produzir um novo cabeça de poder, que é um deputado estadual de uma atuação discreta, mas que chegou ao cume. Trata-se de Amaro Neto (SD), cujo capital político está ligado ao seu programa popular de televisão, que fez dele um atraente ator. 
 
Hoje, Amaro tem capital político para dar o mote das eleições no Estado. Já começou bagunçando este jogo dos empresários de tentarem conciliar Hartung e Casagrande para o próximo pleito. Fez isso quando anunciou que é candidato ao Senado, dificultando para os empresários conseguir outro lugar, senão o Senado, para conciliar Hartung e Casagrande.
 
As pesquisas feitas até agora demonstram que Amaro é imbatível para o Senado e o que mais assusta a esses empresários da ES em Ação é que o deputado criou uma condição política que independe do financiamento de campanha deles. Foi candidato a prefeito de Vitória e quase ganhou a parada. Pior é que, quando fala, é para dar chicotada no empresariado.
 
Quer dizer, existe um enorme público que está do outro lado no processo eleitoral. Como sair dessa encruzilhada?
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