Ao novo, as barreiras

As TVs públicas funcionam como canais privativos que podem ser usados para barrar o novo na política

Com o País em situação das mais complicadas por conta de uma classe política desgastada, acomodada em suas benesses ou envolvida em processos judiciais debaixo de pesadas denúncias de corrupção, começam a tomar corpo no cenário eleitoral posicionamentos que indicam um novo modo de fazer política. 
Esses personagens surgem no cenário nacional e, também, no Espírito Santo. Com suas propostas voltadas para reais necessidades da população, em especial os ocupantes da base da pirâmide social, a maioria não deverá alcançar a vitória nas eleições de outubro deste ano. No entanto, a semente está sendo lançada na terra e irá germinar. É uma questão de tempo, considerando que todo processo de mudança que implique em transformações sociais é lento. 
Principalmente porque na outra parte do campo, os jogadores contam com instrumentos poderosos, com os quais eles lustram a imagem, usando dinheiro público, de forma legal, mas, de outro lado, sem justificativa moral e ética. 
Um quadro construído durante décadas ganha força com o desenvolvimento das tecnologias, de onde surgem valiosos canais que abrem perspectivas de ampliar os níveis de transparência.
No entanto, se usado de forma equivocada, esses canais funcionam como coisa pertencente à classe política, uma espécie de propriedade privada cujo acesso é negado à maioria da população, que permanece na condição de espectador.
Tudo isso com dinheiro público, por meio de normas e regras aprovadas em casas legislativas do País. Um dos exemplos mais recentes veio à tona nesta semana e diz respeito às emissoras de rádio e TVs públicas mantidas por instituições e órgãos oficiais, que funcionam como veículos de informação de uma categoria de servidor público. 
A TV Assembleia, por exemplo, em três anos gastou mais de R$ 12 milhões para levar o sinal a regiões do interior. A justificativa é dar maior transparência ao trabalho dos parlamentares. 
Visto por outro ângulo, porém, não se pode negar a existência de meios com outras configurações, a um custo muito mais baixo e com a mesma eficácia. No entanto, a manutenção de canais desse tipo é necessária para lustrar a imagem de quem tem mandato, sem qualquer custo.    
Esse é apenas um exemplo de ferramentas contra as quais os novos políticos terão pela frente, que são meios legais, aprovados em assembleias legislativas, câmaras de vereadores e outros níveis da administração pública. São meios pertencentes ao Estado, mas que funcionam como canais privados usados ao bel prazer de quem está no comando. Uma anomalia difícil de ser combatida. 
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