Desarranjos da democracia

Mensagens midiáticas enganosas estimulam o surgimento de políticos que nada têm a oferecer

Todo cidadão em pleno gozo de seus direitos civis está apto a participar de processos eleitorais, submetendo seu nome ao crivo do povo por meio do voto secreto. Dessa forma se estabelece, na prática, o princípio da democracia.

Como em toda obra formatada pelo ser humano, também na democracia existem imperfeições e desvios que necessitam de conserto, a fim de que os objetivos não sejam desvirtuados.

Às vezes, o voto é desrespeitado, resultando em cenários caóticos como o do Brasil atual, consequência da usurpação de poder e mudança brusca e ilegal de um programa escolhido pela maioria da população.  

E isso ocorre permanentemente, em parte, por conta de manipulações na transmissão de mensagens por “donos da voz”, responsáveis pela aceitação, pelo eleitor, de candidatos sem qualificações do ponto de vista moral, ético, principalmente, e também de competência para exercer cargos públicos representativos de interesses coletivos.

As deformações de um regime onde todos deveriam ter voz começam justamente na constatação de que a voz que predomina é aquela emitida pelos que estão no poder, subjugando consciências com o martelar de mensagens enganosas direcionadas em defesa de algum interesse individual.

O processo democrático permite, também, e não deve haver qualquer impedimento para isso, o aparecimento de tipos bizarros que caem na aceitação popular via desinformação que dificulta uma análise mais apurada da cena política e de seus atores.

É nesse canto da cena que surgem políticos como o apresentador de TV Amaro Neto (PRB), cujo volume de votos em sua estreia na política é um fenômeno que somente pode ser explicado observando-se o nível de desinformação de seus redutos eleitorais.

E por onde se explica o assédio sobre ele de caciques políticos, nesse ano eleitoral, em busca de uma “carona” para garantir a sustentação no poder. Não se pode negar ao deputado Amaro Neto ou a qualquer cidadão o direito à cidadania de forma plena ou exercer seu trabalho, seja ele qual for.

No entanto, como aceitar que agentes públicos com grande experiência no trato da coisa pública empreendam esforços inimagináveis em outras situações, para garantir o apoio do deputado apresentador?

A explicação mais lógica é que a folha de serviços desses caciques não é tão rica como afirmam as mensagens midiáticas que martelam sem descanso para deixar amortecido o senso crítico da população.

É esse estímulo que gera aplausos a esse tipo de político, transformando-o em protagonista do cenário e demonstrando, igualmente, que os caciques que os acolhem são da mesma espécie e se mantém tanto tempo no poder exatamente porque os “donos da voz” assim decidiram. .

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