As viagens de Lobsang Rampa

O importante em relação aos escritos de Lobsang é manter a mente aberta

Lobsang Rampa era o pseudônimo de Cyrill Hoskins, ou melhor, o corpo do inglês Cyrill havia dado lugar ao lama tibetano Lobsang. A história ou estória é bem polêmica, há muito ceticismo de um lado e muita credulidade do outro, ou melhor, o importante em relação aos escritos de Lobsang é manter a mente aberta, ou seja, nem numa mistificação e nem numa recusa cética sem saber o que se diz em tais livros.


Na leitura que fiz sobre o autor, o que inclui três obras: A Terceira Visão, O Médico de Lhasa e Entre os Monges do Tibete, leitura que recomendo fazer nesta ordem dos fatores para uma iniciação correta aos escritos de Lobsang Rampa, encontrei muita coisa curiosa do ponto de vista místico, o que faço em relação a esta leitura que tive é que se trata de uma visão esclarecedora quanto a alguns segredos do lamaísmo tibetano, não cabendo aqui definir se é verdade ou invenção o que está nestes livros relatado, então fico com o que deles eu possa tirar.


O ponto mais polêmico é o que se chama esta Transmigração, ou seja, como pode ser possível uma substituição de uma alma por outra num corpo, pois isto é relatado em Entre os Monges do Tibete, e então se entende como tal feito se deu, Cyrill Hoskins deixa seu corpo e dá lugar ao lama Lobsang, pois o corpo original do lama tibetano já estava muito mal tratado e beirava o colapso, e o inglês que cedeu seu corpo ao lama já estava desacreditado da vida e queria partir para o mundo astral. Bom, este é o ponto principal que busquei entender e que consegui neste terceiro livro que li, depois de um trajeto pela fase tibetana do lama em A Terceira Visão e os males da guerra e da incompreensão em O Médico de Lhasa.  


É bom lembrar que nos confins do Oriente há muitas coisas que pouco entendemos, portanto, temos que ter uma abordagem desarmada de ceticismo e sem ficar refém de mistificações, o que não representa uma posição ambígua, mas uma abertura que eu julgo filosófica para a leitura correta de Lobsang Rampa. O que ocorre em A Terceira Visão, por exemplo, fenômenos como a abertura do terceiro olho do menino Lobsang aos 7 anos e sua faculdade paranormal de enxergar a aura das pessoas e por esta faculdade saber se a pessoa está saudável e definir até o caráter ou intenções da mesma pela leitura da aura é de deixar ocidentais céticos bem incomodados, mas afirmo que não há conhecimento e sabedoria sem incômodos.


No livro mais importante da obra de Lobsang Rampa, o sucesso editorial A Terceira Visão, vemos o início da saga deste lama tibetano, desde seu nascimento em berço de ouro, porém sem nenhuma regalia dos pais, pois a vida de Lobsang será repleta de sofrimentos, até sua entrada no mosteiro Chakpori, o qual ensinará a Lobsang uma disciplina rígida que servirá depois para ele como meio de sobrevivência no que vemos ser relatado em O Médico de Lhasa, quando Lobsang passa por torturas de japoneses por estar servindo como aviador pelo exército chinês. Lobsang no mosteiro também aprende muito sobre a medicina tibetana e passa a se tornar grande conhecedor das ervas do Tibete, e junto com este conhecimento médico é introduzido em ocultismo, conhecimentos metafísicos e esotéricos que serão ministrados pelo seu guia espiritual, o velho lama Mingyar Dondup, com o qual terá acesso a coisas desconhecidas até por grande parte dos monges comuns, nesta incursão pelos segredos tibetanos, Lobsang terá oportunidade, por exemplo, de desenvolver a faculdade de viagem astral e também de telepatia, fará uma viagem cataléptica às cavernas dos antepassados tibetanos e verá no topo das terras altas de Chang Tang uma cidade antiquíssima num vale, conservada pelo frio da altitude tibetana, onde também verá alguns dos segredos de velhas civilizações.


Em O Médico de Lhasa vemos muitas das predições dos astrólogos tibetanos em relação à vida de Lobsang feitas em A Terceira Visão confirmadas, pois as predições eram de que Lobsang iria sofrer muito, e o que vemos no livro O Médico de Lhasa é uma sucessão de absurdos que levarão o corpo torturado e seviciado de Lobsang quase à morte, com fuga em relação aos japoneses, viagens depauperadas pelos horrores da guerra (era o contexto histórico da invasão e bombardeio da China pelos japoneses e depois a Segunda Guerra Mundial que culminará com as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasáki no Japão soltadas pelos americanos). E neste trajeto sofrido que vemos no livro O Médico de Lhasa aprendemos um bom manual de sobrevivência e de resistência ao sofrimento que será nada mais que consequência dos ensinamentos rígidos e profundos recebidos por Lobsang no mosteiro Chakpori. Sem o que passara no mosteiro, Lobsang afirma sem dúvida que não teria passado por tudo o que passou na mão de autoridades agressivas que se deliciavam em matar e fazer sofrer outros seres humanos, e no meio disso Lobsang chegou a parar em prisões e chegou a tratar de pessoas em estado agonizante totalmente de improviso, seus conhecimentos médicos foram também postos à prova, e Lobsang se saiu muito bem, salvou a vida de algumas pessoas, mesmo em meio à completa devastação de um cenário de guerra e morte por toda a parte que se via.

No livro Entre os Monges do Tibete vemos a fase da vida de Lobsang em que ele vai estudar medicina ocidental na Universidade de Chungking e depois vai para Xangai servir aos chineses, e aí acaba parando na Rússia, onde terá alguma sorte passageira, logo passando por novas dificuldades, passa por Nova York, e volta ao Tibete, depois indo para a Inglaterra fazer a Transmigração, passando por uma fase feliz na Irlanda já com seu novo corpo e vai ao Canadá.

Neste livro já temos um entrecruzamento das histórias relatadas em A Terceira Visão e O Médico de Lhasa, e que terminará em novas revelações dos segredos tibetanos; por exemplo, o chamado Registro Akáshico, no qual se poderia ver toda a História humana psiquicamente, e a complexa operação de Transmigração que foi citada acima entre o inglês Cyrill e o lama Lobsang, além de relatos de viagens astrais bem curiosas durante todos estes acontecimentos. Lembrando que a esta altura seu guia Mingyar Dondup já morrera e se comunicava em espírito por telepatia e viagens astrais com Lobsang Rampa, Dondup já se encontrava, neste ínterim, na Terra da Luz Dourada, um plano bem superior que Lobsang ia algumas vezes por viagens astrais.

O que podemos, enfim, tirar da leitura destes três livros de Lobsang Rampa é, sobretudo, uma lição de sobrevivência às adversidades, o lama tibetano passou por situações extremas, o que nos leva a questões esprituais profundas e também a questões sobre o quanto o ser humano pode ser cruel e, de outro lado, evoluído espritualmente, o que vemos na leitura de Lobsang é uma mistura entre fatos históricos dolorosos e uma espiritualidade sui generis que vemos no lamaísmo tibetano. Se é verdade ou mentira o que Lobsang diz, não importa, há conhecimento e sabedoria em tais livros, e isso é que é importante.

 


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
 
   
   
    
          
   

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