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Petrobras chegou ao limite como guarda-metas da inflação no Brasil

 

O prejuízo líquido de R$ 1,3 bilhão da Petrobras no segundo trimestre de 2012, contra um lucro líquido de R$ 10,9 bilhões no mesmo período de 2011, foi o último sinal para os consumidores brasileiros (todos nós brasileiros somos clientes cativos dela): a Petrobras chegou ao limite como guarda-metas da inflação no Brasil. Ou, seja, tornaram-se irreversíveis/irresistíveis as pressões pela alta da gasolina e do diesel.  
 
Graça Foster, a presidente da BR, já disse que não dá para segurar a barra indefinidamente. Se a empresa não gerar lucros, vai ter de encostar-se no tio BNDES (onde já tem uma série de financiamentos) ou no Tesouro, o pai de todos. Faz sete anos que a petroleira brasileira não reajusta os preços dos combustíveis. Nesse tempo, o valor do petróleo oscilou de US$ 50 a US$ 150 por barril de 159 litros. Atualmente, está pouco abaixo de US$ por barril.
 
Maior empresa do Brasil, uma das maiores petroleiras do mundo, a Petrobras é uma espécie do ministério dos combustíveis líquidos, compartilhando com o governo a responsabilidade pelo abastecimento dos insumos energéticos fundamentais para o transporte (e para a cozinha nacional, by GLP) e o fornecimento da matéria-prima central da indústria petroquímica e afins.
 
Por seu peso na matriz de custos de diversos segmentos da economia, a BR virou parceira compulsória do ministro da Fazenda no combate à inflação. E assim chegamos ao impasse atual. Se tradicionalmente a empresa sempre foi uma das preferidas no mercado de ações, desde sua semiprivatização no governo FHC (1995-2002) ela virou alvo fixo dos investidores nacionais e internacionais sequiosos por lucros no curto, no médio e no longo prazo.   
 
O prejuízo no segundo trimestre de 2012 foi conseqüência do impacto da desvalorização do real. Ou, seja, o endividamento em moeda estrangeira ficou mais pesado e onerou os custos operacionais. São os escolhos da conjuntura internacional adversa sobre uma empresa que, esmo nadando de braçada em águas ricas em petróleo, paga em dólares pela maioria dos serviços tomados na exploração das jazidas do pré-sal em águas profundas do Atlântico.  
 
Embora seja consensual que a Petrobras não deve arcar sozinha com a conta do combate à inflação, o aumento dos preços do petróleo não será uma mudança pacífica. Entidades de defesa do consumidor já saíram a campo reclamando transparência na contabilidade da Petrobras, para que os consumidores e cidadãos saibam como é definido o preço dos combustíveis.
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
“Os preços da gasolina no Brasil, a exemplo da energia elétrica e da telefonia, são mais altos do mundo, como as taxas de juros”.
 
Alcebíades Santini, presidente do Fórum Latino-Americano de Defesa do Consumidor 
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