Birutas

Atem os cintos, o piloto não é confiável

A História não registra quem inventou a biruta, o prosaico saco de pano hasteado nos aeroportos para orientar os pilotos de avião sobre o sentido do vento.

Talvez tenha sido ideia do Alberto dos Santos Dumont, um dos brasileiros mais criativos da História.

Pra quem inventou um veículo capaz de voar, criar a biruta foi fichinha: Beto a bolou na mesma hora em que teve a ideia de atar o relógio no pulso, porque não tinha uma terceira mão pra tirar o patek philipe do bolsinho da calça enquanto fazia suas experiências aéreas nos arredores de Paris.

Por que falo de biruta? É a metáfora da hora.

Estamos sob nova direção pela vontade de 55% dos eleitores que decidiram: o Brasil deve caminhar pela direita após andar por alguns anos pela via da centro-esquerda.

Cabe perguntar se os brasileiros votaram baseados na biruta ou inspiraram-se em alguma sugestão do vento (“Blowing in the Wind”, como diz a canção) ou, ainda, no desejo secreto de cantar “Marcha, Soldado”?

É simplesmente absurdo que o exercício do voto, pilastra da democracia, seja feito apenas de quatro em quatro anos a partir de sinais de fumaça emitidos por alguns aprendizes de feiticeiro que assopram dicas para os candidatos: “Diga que vai fazer isso porque é isso que as pessoas querem ouvir...”

Agora praticado em urnas eletrônicas que não emitem comprovantes, o voto se tornou um exercício mais simbólico do que efetivo porque as campanhas eleitorais estão na mãos dos falastrões da marquetagem, que aplicam aos candidatos as técnicas de venda de produtos de consumo. 

Por que não se usam os recursos da eletrônica, celulares, internet etc. para aprimorar de fato a democracia? 

No fundo, birutas somos nós, os cidadãos.  

LEMBRETE DE OCASIÃO

“É preciso que o fruto apodreça antes que a semente nova possa se desenvolver”.

PO / DESINTEGRAÇÃO (Do I Ching)

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