Capa e conteúdo

Chavões usados na propaganda eleitoral contribuem para manipular o eleitor e boicotar o debate

Emprego, segurança pública e violência, programas miraculosos de saúde e educação, o Brasil para os brasileiros, defesa da família. Estes são os principais temas da propaganda eleitoral intensificada no meios de comunicação, a exatamente 10 dias do término da campanha eleitoral.

A partir do dia 4 de outubro, o eleitor, finalmente, terá três dias para amadurecer em quem irá votar no dia 7. Os candidatos jogam as cartadas finais para manter o voto garantido e conquistar novos redutos, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

A batalha fica mais intensa. É a hora de ir para as ruas, visitar as bases, abandonar os gabinetes, se comunicar com a massa eleitoral. Nesse vai-e-vem, não podem ser dispensados as promessas e os falsos discursos, dissociados da vida normal de cada um.

Surpreendo-me com o falatório de candidatos à Assembleia Legislativa, à Câmara Federal e ao Senado, focados em mantras criados no meio cristão, especialmente o chamado de evangélico, e massificados por lideranças políticas mestres no ilusionismo, que mistura política e teologia para manipular pessoas desinformadas e manter seu manancial de votos, sob uma capa que não condiz com o conteúdo verdadeiro das coisas. 

As repetidas frases “em defesa da família”,  “O Brasil é verde e amarelo e nunca será vermelho”, “Vamos dizer não à violência”, “Vamos lutar contra o aborto”, entre tantas outras com elevada conotação preconceituosa, revelam um perfil extremamente perigoso de pseudos moralistas, patriotas de meia tigela e oportunistas dissociados da imensa ferida no tecido social brasileiro. 

Constroem uma capa espessa para esconder o vazio de propostas voltadas para questões relacionadas à educação, saúde e igualdade social, que não sejam parte do direcionamento de seus interesses ou de grupos que os sustentam. Não se acanham em utilizar chavões e ressuscitar termos soterrados depois do fim da guerra fria e da derrubada do muro de Berlim, como comunismo, socialismo e ódio à cor vermelha, associando-os a partidos políticos, entre eles o PT, PSDB, pasmem os leitores, e o PDT. 

Nesta segunda-feira (24), o apresentador de TV, Ratinho, cuja marca não pode servir como exemplo de respeito aos direitos humanos, comandou uma concentração em vários pontos da Grande Vitória, como parte da campanha do seu amigo senador Magno Malta (PR), que apresentou ligeira queda na corrida à reeleição, embora ainda lidere as pesquisas. 

No vídeo de chamamento, Ratinho exibe algumas dessas  “palavras de ordem” que inundam as redes sociais das camadas populacionais menos escolarizadas, incluindo lideranças religiosas que se deixam manipular. Um discurso falso, que esconde questões importantes para a sociedade e deveriam merecer um debate aberto e transparente.

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