Cartas na mesa

Ao projetar a ampliação do poder de articulador para as próximas eleições, Erick Musso não avaliou os riscos

Quando no dia 27 de novembro o deputado Erick Musso colocou as cartas na mesa para garantir um terceiro mandato na Presidência da Assembleia Legislativa e ampliar o poder de articulação para as eleições municipais, certamente não avaliou os riscos como deveria. 

É o que fica claro no sumiço para a “montanha” explicitado no mea-culpa público do dia quatro deste mês e nos desdobramentos judiciais, barreira maior para as ações projetadas com parceiros hoje não tão fiéis assim, bandeados que estão para o campo orquestrado pelo governador Renato Casagrande. 

O recuo de Erick Musso, porém, não significa uma derrota pura e simples. Ele comanda o Legislativo e essa condição coloca em suas mãos a atribuição de encaminhar projetos de interesse do governo, cuja aprovação, na maioria das vezes, garante a governabilidade. No entanto, ele sai extremamente enfraquecido, tendo pela frente o espectro do poderio governamental atuando junto às bases eleitorais não apenas de Erick, mas de todos os parlamentares. 

Muitos irão disputar as eleições municipais e necessitam de um bom relacionamento com o governo a fim de mostrarem serviço ao eleitorado. A avenida Leitão da Silva, em Vitória, serve de exemplo: depois de um longo período paralisadas, as obras foram retomadas e a via foi aberta ao público festivamente, contribuindo para avivar a apagada gestão do prefeito Luciano Rezende (Cidadania) e fazer a alegria de seu pupilo e candidato a seu sucessor, Fabrício Gandini, que ainda não deslanchou no primeiro mandato de deputado estadual.    

O embate, agora mais claramente, leva em conta a consolidação de blocos postados na linha de partida para as eleições de 2020 e também a de 2022, quando estará em jogo a sucessão do governo. Casagrande é candidato, Erick poderia disputar com ele, só que agora essa perspectiva ficou ainda mais distante. 

Sem densidade eleitoral própria, eleito com pouco mais de 21 mil votos para um segundo mandato, o presidente da Assembleia cresceu por meio de apoio do ex-governador Paulo Hartung e da parceria com o deputado federal Amaro Neto (Republicanos), o mais votado nas eleições de 2018 e favorito na corrida à Prefeitura de Vitória, segundo levantamentos internos realizados por partidos políticos. 

Pesa também a seu favor o gerenciamento dos 240 cargos comissionados na Assembleia e outras ações inerentes à função de presidente. São relações voláteis, sem sustentação, se nesses casos interesses pessoais entram em jogo, além de ações que visam extinguir esses cargos. 

Agora mesmo, deputados aprovaram a Indicação nº 2852, do deputado Sergio Majeski (PSB), pré-candidato à Prefeitura de Vitória em 2020, para que a Mesa Diretora substitua os cargos comissionados da estrutura administrativa da Assembleia por cargos de provimento efetivo, mediante a realização de concurso público. 

No meio do tudo isso, uma certeza: a campanha de 2020 começou, e pelo menos por enquanto, o bloco do governador Renato Casagrande sai na frente nesse primeiro round, ao mostrar que está armado para encarar o jogo, que promete ser pesado. 

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