Casagrande ataca

Ex-governador sai na frente como protagonista do bloco de oposição a Hartung

A exatos 12 dias do fechamento da janela partidária, marco da faixa de largada para a campanha eleitoral, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) sai na frente, aproveitando o momento um tanto quanto embolado de indefinições, e apresenta seu nome como pré-candidato ao governo em 2018.
A partir de agora, começam a se definir as cores do cenário, com a entrada de outros atores aguardados pela plateia, ansiosa por alterações radicais capazes de transformar o espetáculo deprimente de um governo fechado em si mesmo e no corporativismo empresarial.
Que não se entenda, pela afirmação acima, que Renato Casagrande represente qualquer tipo de alteração radical, haja vista que o modus operandi é o mesmo, embora nesta segunda-feira (26), em coletiva de imprensa, ele tenha apresentado como novidade conhecidos pilares da boa gestão pública.  
No entanto, guardadas algumas diferenças no que tange ao comportamento mais aberto ao diálogo, o recém-lançado candidato caminha no mesmo terreno que o governo atual, de Hartung, e utiliza as mesmas engrenagens, excessivamente atreladas ao corporativismo empresarial.
Os outros personagens do cenário político que ainda não mostraram a cara prometem empenho em fazer uma nova política, mas dificilmente poderão promover alterações radicais, porque estas dependem de mudanças na estrutura, por meio de uma reforma política que chacoalhe as relações entre a classe política e o mercado, que torna a política um grande balcão de negócios. 
Os personagens do cenário capixaba que poderão assumir o Palácio Anchieta pelos próximos quatro anos, a partir de 2019, todos, sem exceção, terão que superar questões cruciais para a viabilização de suas candidaturas. 
E aí Casagrande acerta em se lançar em primeira mão, assumindo o papel de protagonista principal do bloco que se forma de oposição ao governo Hartung, composto por lideranças como a senadora Rose de Freias (MDB) e o prefeito de Vila Velha, Max Filho (de saída do PSDB), todos postulantes ao governo na eleição deste ano.
Os outros três pré-candidatos ainda não declarados, Rose de Freitas, o governador Paulo Hartung, ambos do MDB, e o prefeito de Vila Velha, Max Filho, ainda dependem de articulações a fim de consolidarem acomodações partidárias, indispensáveis para viabilizar seus nomes na disputa eleitoral.
Hartung leva vantagem por estar no comando da máquina pública, apesar da crise em uma de suas bases de sustentação, o PSDB, em processo de encolhimento com a saída de quadros de peso, e do esperado embate com a senadora Rose de Freitas no partido de ambos, o MDB, caso ela não se mude para outra sigla.
Max Filho é o que se encontra em situação mais complicada: anunciou a saída do PSDB e a provável filiação ao Podemos, mas foi barrado pelo deputado estadual Hudson Leal, responsável pela construção do partido no Estado.
Nesses movimentos do deputado Hudson Leal vê-se o dedo de Hartung, receoso de ter pela frente um oponente que,  mesmo que não seja de forma radical, pode apresentar alguma mudança em relação ao que está colocado para a população. Resta saber se ele conseguirá superar as barreiras.
Desde esta segunda-feira, o bloco de oposição está consolidado, com Casagrande à frente, mas nem por isso se reduz o risco de se ter mais do mesmo em 2018. 
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