Casagrande e o futuro

As alterações no modelo de gestão não devem ser significativas

Política não é para amadores, principalmente no Brasil, país de privilégios para poucos e de minguados avanços sociais, marca de uma democracia construída com elevado nível de exclusão, característica secular desde o tempo do império, regime que formou uma elite com uma visão distorcida de grande parte do restante do mundo.

Não é à toa que ocupamos os primeiros lugares no ranking dos países mais desiguais do mundo no campo social. Na vanguarda desse cenário, a classe política se caracteriza por utilizar mecanismos distanciados dos anseios da população, em especial negros e pobres, para tocar os projetos de gestão pública. 

Voltados para interesses de grupos abastados, mantém estruturas de poder seculares que geram mais pobreza e violência. Exemplo é o que não falta e o Espírito Santo representa um dos mais representativos, quando se observa o nível de desigualdade registrado em programas sociais para pessoas de baixa renda, que inclui mais de 1,5 milhão de residentes no Estado que vivem no nível de pobreza. 

O Estado está para ver encerrado um período de gestão pública no qual os programas sociais foram praticamente desestruturados, por conta da política de contenção de gastos do governador Paulo Hartung, que, para felicidade geral, está deixando a cena política. Nos últimos quatro anos, ele se mostrou mais interessado em fortalecer grupos de empresas por meio de incentivos fiscais.

Um novo governo, com Renato Casagrande (PSB) liderando, está para acontecer e, a partir de 2019, o Espírito Santo mergulha em outro cenário, mas sem mudanças de rumo. Pelo menos é isso o que se vislumbra, pelo fato de o futuro governador, caso se confirmem as pesquisas, ter a mesma origem política do atual, de quem, inclusive, foi o candidato a sucessor.

As alterações na gestão pública virão, certamente, embora a perspectiva para os próximos oito anos, considerando uma eventual reeleição de Renato Casagrande, não deva mostrar mudanças significativas, pois o modelo é o mesmo. 

Tudo indica que assim permanecerá, seguindo o mais puro estilo neoliberal, com o cada vez crescente protagonismo do mercado no encaminhamento das políticas públicas.  

Essa visão circula no mercado político e deve ser motivo de análise de Casagrande, a fim de seu governo, se for mesmo confirmado nas urnas, não venha a representar, simplesmente, a substituição do pivô em torno do qual se agrega o pessoal do centrão, constituído de políticos, empresários e oportunistas. 

Político experimentado, Renato Casagrande já demonstrou que, embora reconheça que não se governa sozinho, pretende exercer o poder de forma centralizada, como ocorreu na escolha do seu vice. Ao chamar para si a indicação da ex-vereadora de Cariacica, Jaqueline Morais (PSB), jogou uma  pá de cal no projeto do grupo do prefeito Luciano Rezende (PPS), que esperava, na condição de primeiro aliado, ter essa primazia. 

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