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A rejeição ao senador Magno Malta como ministro confirma o aumento do poderio militar no futuro governo

A rejeição ao senador Magno Malta (PR) no círculo de ministeriáveis do presidente eleito, Jair Bolsonaro, levada ao público logo depois de proclamada a vitória do PSL pelo general Hamilton Mourão, futuro vice-presidente, coloca em confronto aberto o grupo de evangélicos, liderado por Silas Malafaia, e a turma da caserna, que a cada dia cresce e se fortalece junto ao governo que será empossado em janeiro de 2019. 

Magno Malta, derrotado no Espírito Santo na tentativa de reeleição, teve a imagem desgastada por um mandato sem resultados palpáveis, que não foram além de shows midiáticos na área de defesa da família, combate às drogas e outras ações que seguem a linha evangélica ultraconservadora, que, contrariando Jesus, concorda com tortura e a pena de morte e não está nem um pouco preocupada com os direitos sociais das camadas mais pobres.   

Ao afirmar que o senador capixaba é “um elefante no meio da sala pedindo emprego”, o vice-presidente eleito assumiu um posicionamento que demonstra como está formado o círculo em torno de Bolsonaro e seus ministros, com seis generais dos 18 anunciados até agora. 

A eles, a quem cabe responder por áreas essenciais, se soma o ministério policialesco do ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro, maior colaboracionista da vitória de Bolsonaro. O cenário, com esses personagens, é pesado, e lembra em muito a ditadura militar que durou 21 anos no Brasil, imagem reforçada por meio de declarações do presidente eleito e de seus ministros. 

O patriotismo exacerbado, na prática, nada tem de real, como mostram a subserviência do futuro governo aos Estados Unidos e a entrega do pré-sal e de outras riquezas ao capital estrangeiro, tornando o Brasil menor no cenário internacional. E o que dizer do gesto de bater continência, sinal de subordinação, para um integrante do segundo escalão do governo norte-americano? Só o militarismo explica.

Quem sabe aí está o motivo do encolhimento de Magno Malta, que preferiu se retirar de Brasília, depois de anunciado o nome do deputado federal e ex-ministro Osmar Terra para o Ministério da Cidadania, jogando por terra os seus planos de ocupar o cargo. O esperneio veio da boca do Malafaia, mas dificilmente a decisão será alterada. Para piorar, logo depois, Bolsonaro ainda convidou a assessora parlamentar de Magno, a pastora Damares Alves, para o Ministério de Direitos Humanos e Mulheres.

A caserna fala mais forte do que os acertos emanados dos sistemas religiosos, marcados pelo “toma lá dá”, da mesma forma como boa parte da classe política que tanto condenam na prática. Os privilégios para esses líderes vêm em forma de indicações para cargos de apadrinhados, em concessões de canais de rádio e TV, impostos e, principalmente, no jogo de vaidades pessoais.

O clima é pesado. Para Magno Malta, mesmo que ainda possa abocanhar algum cadinho no segundo ou terceiro escalão, e para toda a sociedade brasileira, que se vê cercada por um grupo coeso de poderio militar, de generais acostumados à disciplina e hierarquia dos quartéis, onde o comando é sempre praticado pela patente mais alta e o subordinado é obrigado à cega obediência. 

No Brasil atual, o poder está fardado, e cerca a todos nós.  

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