Demagogia e masoquismo

Por que as pessoas votam em cínicos que pregam reformas malignas?

Pensando bem, é inacreditável que um governo eleito pelo voto popular tenha coragem de propor medidas como uma reforma previdenciária que ferra a maioria pobre e transfere para os bancos a gestão de fundos públicos.

Isso é um escândalo sem precedentes, mas faz parte da lógica do Poder, que passou recentemente das mãos de uma velha raposa para os dáctilos de um profissional do cinismo, cujo primeiro ato de governo foi reduzir o valor do salário mínimo projetado pelo Congresso.

E assim vamos ladeira abaixo: mesmo sabendo que a Previdência não está quebrada, como ficou provado pela CPI realizada no ano passado pelo Senado, somos obrigados a escutar que essa reforma é indispensável para evitar a falência do sistema previdenciário.

Parece que o novo presidente, reformado no Exército, aprecia reformar a vida dos outros. Se fosse para melhor, tudo bem. Sabemos que não: o assunto foi entregue ao sinistro Paulo Guedes, que vem se destacando como o ministro da Fazenda mais impiedoso desde Pedro  Malan, que atuou no governo FHC.

Se os poderosos se sentem no direito de exercer tais formas de exploração, é certamente porque:

1) num processo estranhamente masoquista, as pessoas votam massivamente em demagogos destituídos de espírito público;

2) as estruturas de poder estão montadas para que as coisas favoreçam os ricos;

3) os mecanismos da administração pública e da gestão privada dos negócios operam para perpetuar as distorções de poder;

4) os servidores públicos acham normal agir de acordo com “os interesses das zelites”;

5) os agentes da iniciativa privada, de alto a baixo, acostumaram-se a maximizar a exploração dos recursos naturais, entre os quais se destacam as pessoas, encaradas normalmente como mão-de-obra barateável, como se viu na reforma trabalhista em andamento.

Para escapar desse círculo vicioso que se mantém para perpetuar a miséria, não há outra saída senão  difundir informações verdadeiras, denunciando injustiças e trabalhando pela elevação dos níveis de educação, ensino e instrução em todas as instâncias sociais.

Por exemplo, não se pode aceitar que o Brasil tenha 12 milhões de analfabetos, 2 milhões de jovens fora da escola, 12 milhões de desempregados e 26 milhões de desalentados (pessoas que desistiram de procurar trabalho) que vivem à sombra de algum aposentado ou estão nas ruas catando lixo ou à mercê da boa vontade alheia.

LEMBRETE DE OCASIÃO

“Todos sabemos que o ódio não cria emprego, não aumenta a renda, não resolve os graves problemas sociais do Brasil, da saúde, da educação e muito menos da segurança pública".

Joaquim Ernesto Palhares, diretor do site Carta Maior, referindo-se à campanha de disseminação de ódio e violência do ex-capitão Jair Messias Bolsonaro, presidente da República.

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1 Comentários
  • Silva , sexta, 15 de março de 2019

    Da mesma forma pergunto: Por que as pessoas votaram em um partido que protagonizou os maiores escândalos de corrupão no país no período de 1º de janeiro de 2003(início do mandato do presidiário de Curitiba) a 17 de abril de 2016 (data do afastamento da oligofrênica) junto com seus aliados MDBISTAS? Estima-se que o desvio de dinheiro do povo durante a era lulopetista tenha ultrapassado a cifra de um trilhão de reais (petrolão, financiamento de ditaduras via BNDES , compra de parlamentares). Pois bem, se dividirmos essa cifra pelos 148 meses em que a seita lulopetista ficou no poder, chegaremos a 6,75 bilhões por mês. Como o governo do Presidente Bolsonaro tem dois meses, concluímos que desde o início de seu mandato já foram poupados 13,5 bilhões de reais apenas com o afastamento da possibilidade de haver roubo aos cofres que guardam o dinheiro do contribuinte. Torço pelo Brasil, que as reformas necessárias ao nosso desenvolvimento passem o quanto antes, todos sairão ganhando com isso.