E assim se foi

Hartung sai de cena e deixa um cenário sombrio para aliados

Tensão e muito medo de ficar para trás são os matizes que tomaram conta da política capixaba, na conturbada cena armada depois da frustrada tentativa de formar um bloco de sustentação capaz de manter intocável a liderança do governador Paulo Hartung. 

Questionada por um número cada vez maior, a condução do processo eleitoral já não cabe em suas mãos, e essa certeza não vem de agora, foi aumentando na medida em que dados de pesquisas internas revelavam o avanço de Renato Casagrande rumo ao palácio Anchieta. Hartung temeu, e recuou. 

Aqui mesmo, neste espaço, foi dito, no dia 13 de abril deste ano, que o avanço de forças contrárias articuladas nos últimos três anos ergueu um cenário em que o governador não encontra mais um campo propício para se auto-denominar “salvador da pátria”.

A decisão para a reeleição, no entanto, só ocorreria se houver desfalque no campo adversário, com a desistência de um dos dois oponentes, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e a senadora Rose de Freitas (Podemos). 


Tanto Casagrande quanto Rose se mantiveram firmes, articularam bem e, assim, a reeleição deixou de ser uma possibilidade. É chegada a hora de colocar em prática os planos “bês” que na maioria das vezes exclui aliados. 


Fieis escudeiros, como o vice-governador César Colnago, o deputado federal Lelo Coimbra e o senador Ricardo Ferraço, juntamente com outros mais recentes e não tão alinhados, como Amaro Neto, partiram ao encontro de outros rumos, mais livres para tocar seus projetos.

 
Para Colnago, o mais sacrificado, o chão está curto, o PSDB esfacelado com a debandada de quadros importantes, a direção está incerta e pode lhe reservar, quem sabe, apenas uma disputa à Assembleia Legislativa, justamente ele, considerado o “melhor vice-governador do Brasil” e provável substituto do chefe.

O grupo está desfeito, cada um  segue o seu caminho, até que outubro venha, para confirmar quem conseguiu escapar no campo de batalha. Quanto a Hartung, a preocupação agora é com o Tribunal de Contas, que a partir de 2019 irá analisar as contas de sua gestão. 

Para ele, é imprescindível que coloque ali mais dois aliados, tarefa que ele tem que cumprir antes de outubro, quando sua influência já não terá força para tecer enredos e mudar cenários. O tempo passa, célere. 
 

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