Em questão, os portos!

A estadualização do sistema portuário pode acabar como o loteamento político da Codesa

Sempre relegado a plano inferior desde que foi construído, na década de 60, o Porto de Vitória, depois ampliado para Complexo Portuário de Vitória, administrado pela Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), pouco tem recebido do governo federal, que parece ignorar o potencial que ele representa no desenvolvimento econômico regional e, também, do País. 

Não foi sem motivo, portanto, que o governador eleito, Renato Casagrande (PSB), abriu sua fala na reunião com o futuro presidente, Jair Bolsonaro (PSL), nessa quarta-feira (14), em Brasília, reivindicando a estadualização do sistema, que inclui além do principal, em Vitória, os portos de Atalaia, Capuaba, Peiú, Flexibras, TVV e CPVV, todos especializados em carga geral.

Com essa delegação de competência para gerenciar o sistema, o governo do Estado abre a possibilidade de exercer maior  controle das atividades fora do eixo político externo, localizado em Brasília, e tenta barrar articulações já em andamento nos círculos políticos local e nacional, para indicações a cargos na empresa.  

A alteração apresentada pelo governador eleito vai de encontro a ideias de influentes aliados de Jair Bolsonaro no Estado, que já declararam publicamente como pretendem interferir na administração da logística portuária a partir de 2019, e, evidentemente, tendem a estar à parte dos projetos elaborados por quem foi escolhido pelas urnas, em outubro passado. 

Ao chamar para si o controle da Codesa, o Estado do Espírito Santo assumiria a responsabilidade de gerenciamento de um dos setores mais importantes de sua economia, agregando-o ao conjunto de projetos de desenvolvimento, contemplando mais a eficiência técnica do que o aspecto político. 

Essa forma de gerenciamento da Codesa tem gerado extremas dificuldades aos portos capixabas. Exemplo maior pode ser dado com as obras de dragagem do  Porto de Vitória, que levaram nada menos do que 19 anos para serem concluídas, o que ocorreu em 2017, impedindo a movimentação de navios de maior porte, com prejuízos significativos. 

É justamente nesse gargalo, restrito às áreas de interesse político-partidário onde se localiza o gargalo que contribui para reduzir a competitividade dos portos capixabas gerenciados pela Codesa. A estadualização representa uma forma de gerenciamento mais direto, com possibilidade de ampliar a movimentação de carga geral, hoje com uma variedade de produtos bastante reduzida. 

O histórico loteamento político da Codesa até agora só gerou pífios resultados, se comparado os números obtidos com o potencial de um Estado com uma localização geográfica privilegiada, que poderia colher melhores frutos por meio de um gerenciamento direto, controlado pelo Estado. 

Por conta de uma matriz econômica equivocada, os governos, federal e estadual, só favorecem setores que, de fato, geram recursos, mas deixam um saldo altamente negativo para a sociedade. São os portos especializados, que exportam minério de ferro, produtos siderúrgicos e celulose, produtos altamente poluentes, e integrados às empresas produtoras. 

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