Embalagens lustrosas

Governador recebe prêmio em Brasília, enquanto escolas são fechadas no Estado

Os aparelhos barulhentos a vapor colocados em sanitários de aeroportos e shoppings centers têm a capacidade de secar mãos em apenas 10 segundos. Assim informam os fabricantes em bem planejadas campanhas de comunicação e marketing.
Na prática, porém, a coisa não funciona dessa forma, sendo necessário mais tempo ou até a ajuda de uma folha de papel. 
Com o marketing político acontece a mesma coisa, com maior ênfase em ano eleitoral, como 2018, em que a partir deste mês de março começam as  articulações visando alcançar boa colocação na votação de outubro próximo. 
Assim, a colocação de embalagens lustrosas é elemento essencial para levar o eleitor a aceitar ou não o produto, ou seja, o candidato.   
Nesta quarta-feira (7), o Ministério da Educação e Cultura (MEC) fornece um  exemplo de uma embalagem lustrosa ao condecorar o governador Paulo Hartung com a Ordem Nacional do Mérito Educativo, que foi entregue pelo ministro da área, Mendonça Filho. 
A cerimônia, com a presença do presidente Michel Temer, como se vê, foi um ato lustroso, excelente gancho para discursos de campanha e peças publicitárias.
Como no caso dos secadores de mãos, a condecoração a Hartung tem a marca da contradição, quando se observa o setor educacional no Espírito Santo, com defasagem salarial dos professores, o estado de abandono de várias escolas, o fechamento de salas de aula, como pode ser visto de protestos de pais e professores, especialmente no interior.   
Ressalte-se que não se pretende comparar o governador Paulo Hartung a secadores de banheiros ou qualquer outro eletrodoméstico. Essa rápida análise é somente para demonstrar como o marketing pode ser usado para manipular as pessoas, levando-as a ver com reais coisas que parecem ser, mas, na verdade, são meras fantasias com pesada maquiagem para esconder o trágico cenário. 
A educação, no governo Hartung, apresenta números desanimadores: nos anos iniciais do ensino fundamental, assim como no ensino médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o volume de matrículas só despenca no comparativo entre o primeiro ano do atual governo e 2018, o último.  
No ensino médio, os dados mostram 5.131 matrículas a menos entre 2017 e 2016, passando de 1033.914 para 98.783. O Censo aponta também que houve 3.335 matrículas a menos entre crianças do primeiro ao quinto ano. 
Um retrato sem foco, diferentemente do que é mostrado nas peças de marketing oficiais e em ações de lobby que resultam em premiações e medalhas no peito, passa mostrar uma falsa realidade. Da mesma forma que os secadores de banheiro não secam mãos em 10 segundos. 
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