Emboscada democrática

Hartung nunca esteve tão ameaçado como agora, com esse pacto coletivo para abatê-lo na eleição deste ano

Está absolutamente consumado o ingresso do prefeito de Vila Velha, Max Filho, no Podemos. Não importa se já assinou ficha ou não, pois sua entrada foi acertada por dois políticos de reputação e responsabilidade, como o ex-governador Max Mauro (pai) e o candidato à Presidência da República pelo Podemos, senador Álvaro Dias. Ele já é Podemos. 
 
O alto grau de importância desse fato é que o prefeito Max Filho é um candidato ao governo de alta potencialidade e se alinha com os pré-candidatos que estão juntos em um pacto relativamente voltado para apear o governador  Paulo Hartung do poder. Neste grupo também se encontram, entre outros, a senadora Rose de Freitas (MDB) e o ex-governador Renato Casagrande (PSB).
 
Paulo Hartung nunca esteve tão ameaçado como agora, já que no pacto deverá ser escolhido como candidato ao governo aquele que oferecer maior garantia para abatê-lo. PH não é mais aquele que dispunha de todos os armamentos para destruir os adversários. Sobressaltado por levantamentos que dão as classes A e B contra ele, só tem restado a PH o uso do dinheiro e da máquina. Em resumo: não aterroriza mais ninguém, como fez nos anos de seus mandatos e no de Casagrande.   
 
Creio que a saída de Max Filho para o Podemos ajuda a enfraquecer a potencialidade dos tucanos, já atingidos pela saída do ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas. Os dois são capazes de arrastar mais de 50% do tamanho do PSBD, a ponto de correr o risco de anulá-lo como partido decisivo para as eleições no Estado. 
 
PH acreditou poder contar com o PSBD para a sua reeleição, mas, pelo visto, só lhe restará mesmo recorrer ao seu próprio partido, o MDB e, por lá, meu amigo, irá encontrar a senadora Rose de Freitas pronta para disputar com ele a convenção.  Ela promete vencê-lo em um partido que tem um dos principais flecheiros de PH à frente, o deputado federal Lelo Coimbra. 
 
Lelo, porém, em todo esse período que esteve à frente do partido, nunca praticou a democracia. Valeu-se da força de PH para renovar seus seguidos mandatos no partido. Só agora, com a queda do governador, é que irá se conhecer o processo democrático na disputa entre Rose e PH. Serão 200 delegados que irão escolher o candidato do partido ao governo. Isto é democracia, o que não foi conhecido no período de PH poderosíssimo. 
 
Não diria que os dias de PH estão contados, mas, sim, que o restabelecimento do processo democrático no Estado o ameaça, principalmente agora, que se aliando aos demais pré-candidatos ao governo, temos Max Filho.
 
Fica claro, portanto, que os que  querem eliminar PH do processo político estão agindo no coletivo, que é aproveitar a oportunidade do momento, em que PH está enfraquecido politicamente, obrigando-o a começar  a jogar o jogo da democracia. E democracia é igual à sonoridade da partitura musical, atrai público, pois faz bem aos ouvidos de todos. 
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