Esse ódio que não sai!

A onda de ódio que invade a política viraliza nas redes sociais e impede qualquer abertura para o debate

Ao encaminhar a Renato Casagrande (PSB) a primeira pergunta no debate transmitido na noite de terça-feira (2) pela TV Gazeta, o candidato do PSL ao governo do Estado, Carlos Manato, disparou que “Aqui ao meu lado todos são vermelhos, eu sou verde e amarelo”. 

Com a frase, metralhada incansavelmente nos meios de comunicação pelos últimos 10 anos, incluindo as redes sociais, o candidato exprimiu a política de ódio e preconceito lançada diariamente sobre a população brasileira seguindo uma estratégia que visa criminalizar todos os que divergem de seus ideais, levantando bandeiras facilmente acolhidas na fatia mais desinformada da sociedade. 

As mensagens levantam ideologias nunca de fato formalizadas na história e que são próprias da chamada guerra fria, com as quais os Estados Unidos se arvoraram em xerifes do planeta e que serviram de gancho para a intromissão nos negócios de outros países, sempre de forma violenta, com o objetivo de exercer domínio sobre a humanidade. 

Da maneira como foi referida por Manato, a cor vermelha é a expressão de uma imensa onda de preconceito e desconhecimento da história, na mesma proporção do falso patriotismo alardeado pelos que se dizem verde e amarelo, mas se colocam ao lado de regimes opressores ao negro e pobre e lutam contra os avanços sociais. 

Essa onda contra tudo o que se relacione ao vermelho, de trágica lembrança dos 21 anos que o Brasil viveu a pesada ditadura militar, de 1964 a 1985, encontrou nas redes sociais lugar propício para alcançar parte da população insatisfeita e com elevado índice de analfabetismo político, que acolhe e reproduz mensagens sem qualquer senso crítico.  

Não é sem motivo que quatro milhões de denúncias sobre crimes de ódio na internet foram recebidas pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, nos últimos 11 anos, envolvendo racismo, neonazismo, intolerância religiosa, homofobia, incitação de crimes contra a vida, maus-tratos a animais e pedofilia. 

Dados oficiais revelam que em 2016, o número de denúncias ultrapassou 115 mil, enquanto em 2017 despencou quase pela metade, para pouco mais de 60 mil. A redução do número de denúncias não significa que houve diminuição de atos criminosos, mas, e isso é alarmante, ocorreu a banalização do ódio, que passa ser visto como coisa normal. 

Esse sentimento é usado para atrair eleitores, os mesmos que desistiram de fazer denúncias dos abusos e hoje estão inseridos em numerosos grupos usados para espalhar discursos que antes condenavam. A intolerância que toma conta da política em ritmo cada vez mais crescente fecha qualquer abertura ao debate, bem ao modo de personagens históricos de todo inaceitáveis, pelo fato de estarem imersos em um poço de ódio profundo que os leva à cegueira. 

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