Gestão de marca

Manter elos com redutos eleitorais faz a cabeça da classe política

Em época de pré-campanha, nada melhor do que gerar fatos para levantar os ânimos e encorpar a atmosfera política construída no dia a dia de quem tem mandatos eleitorais. Os mecanismos são vários e vão desde as indefectíveis e cansativas sessões solenes em salões luxuosos, inaugurações, Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e anúncios grandiloquentes. 
Essas ações se encaixam no branding, a área do marketing cuja finalidade é exaltar atributos de uma marca, a fim de torná-la desejada na mente e coração do consumidor, por meio de mensagens subliminares que cativam, porque expressam o melhor das intenções e, assim, criam elos poderosos.
Uma prática que custa enormes quantias aos cofres públicos, mas de tão antiga passa despercebida aos órgãos de controle, até mesmo porque não há nada de ilegal, segundo as normas orçamentárias, com recursos financeiros específicos para essa finalidade, aprovados justamente por quem irá usá-los. 
Do Congresso Nacional às assembleias legislativas, câmaras de vereadores, auditórios de palácios e de empresas públicas, todas registram robustos exemplos, com homenagens a associações, sindicatos, entidades religiosas, empresas e vários outros  setores da sociedade, que representam redutos eleitorais de quem as promove.
Mais dois grandes exemplos podem ser citados, o primeiro o anúncio do governo do Estado de exigir da Vale e ArcelorMittal a redução do pó de minério que diariamente, há décadas, é despejado sobre a população da Grande Vitória.
O segundo é a vinda ao Estado da CPI dos Maus Tratos, há anos conduzida em Brasília pelo senador Magno Malta (PR), para investigar o assassinato de duas crianças, em Linhares, o chamado crime do pastor.  
No caso da poluição, levando em conta o histórico de termos de ajustamento de conduta celebrados anteriormente com a Prefeitura de Vitória e o próprio governo do Estado, o olhar é de desconfiança para algum resultado positivo. 
Como justificativa, é bom lembrar a destruição da bacia do Rio Doce pela Samarco/Vale-BHP, até hoje sem uma solução aceitável. O resultado desse crime pode ser visto, diariamente, na pequena vila de Regência, município de Linhares, no norte do Estado.
No pequeno povoado onde o outrora rio piscoso deságua, pescadores, marisqueiros, donos de pousada e a população em geral amargam o fim de suas atividades, sem muita esperança. As medidas adotadas pelo poder público até agora são inócuas. 
A vinda da CPI dos Maus Tratos, por sua vez, é sem sentido, já que as autoridades policiais desvendaram o crime, apontaram o culpado e realizaram um trabalho digno de nota. Mesmo se as investigações ainda estivessem em curso, a CPI de nada adiantaria, a não ser para funcionar como palco e mais uma ação para valorizar a marca. . 
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