Há algo novo?

O novo, neste caso, não está relacionado à idade ou à experiência. Mas na construção de um perfil diferenciado do que está colocado no mercado político

A movimentação política visando formar grupos estrategicamente organizados para as eleições de outubro próximo, que a cada dia de torna mais intensa, demonstra, mais uma vez, uma característica comum a todos os partidos: a ausência do novo, do ponto de vista da participação direta da sociedade. 
 
Na segunda-feira (16), dois movimentos merecem a atenção do eleitorado. Primeiro, a reunião de seis partidos de menor porte com o objetivo de montar a chapa de candidatos à Câmara Federal.
 
Caso esses atores, alguns já tarimbados no mercado político, alterem o modelo de atuação, poderão contribuir para mudar pelo menos um pouco o quadro sombrio da política local, principalmente pelo isolamento em que foram colocados e, também, para que não repitam erros de gestão. 
 
O segundo fato, as alterações na diretoria da Cadeeso, a entidade religiosa que abriga as igrejas Assembleia de Deus no Estado, com uma densidade eleitoral significativa e forte atuação na política local.
 
No atual contexto de desagregação da política nacional, de forma mais acentuada com o aumento do número de partidos verificado nos últimos 10 anos, esses dois fatos poderão representar uma mudança para melhor no cenário da política capixaba. 
 
O novo, neste caso, não está relacionado à idade ou à experiência dos atores. Mas na construção de um perfil diferenciado do que está colocado no mercado.      
 
Mais do que necessária, essa formatação é fundamental, tendo em vista o alto nível de desorganização do sistema político nacional, com viés mais profundo nas áreas mais periféricas aos centros de decisões, como o Espírito Santo.
 
Um modelo que resultou em práticas dissociados das comunidades por meio do autoritarismo que se manifesta das mais variadas formas. Elas variam do velho coronelismo, ainda vigente, com a cara de novo, às ações midiáticas e ao clientelismo. Em todas essas práticas, estão incluídos os sistemas religiosos. 
 
O modelo não muda, permanece com as mesmas regras do passado, principalmente pela reduzida participação popular, até mesmo nos partidos ditos de esquerda, com exceções contadas nos dedos. 
 
Da forma de atuação desse grupo, que reúne alguns atores bem conhecidos no mercado político capixaba, poderão surgir valiosas contribuições que resultarão em um processo de descentralização do poder, hoje concentrado em poucas mãos, gerando um triste retorno ao coronelismo, que gera problemas a toda a sociedade. 
 
Uma das anomalias mais frequentes no quadro político é o clientelismo, representado pelos cargos comissionados, um mal secular difícil de extinção. Segue na esteira da ausência de ideologia e da prática do imediatismo individual. Cada um por si. Desse modo, a maioria da sociedade sai no prejuízo.  
 
Pode-se mudar e, no Espírito Santo, existem bons exemplos. Um deles, na Câmara de Vitória, com o vereador Roberto Martins (PTB), e na Assembleia Legislativa, o deputado Sergio Majeski (PSDB).
 
Sem muito esforço, reduziram o número de assessores e outras despesas de gabinete. Os dois exercem suas funções dentro do esperado, realizando um trabalho de fiscalizar o Executivo, dentro de preceitos democráticos. 
 
E sem a necessidade de aportes como o Fiscaliza Vitória, na Câmara de Vereadores, ou solenidades de devolução de recursos financeiros ao Executivo, como sempre ocorre, que nada mais são do que ações promocionais para mascarar falta de projeto ou falha de gestão. 
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