Hartung e seu muro

Sem a presença da senadora Rose de Freitas, evento com lideranças do PMDB vira palanque para o governador

Quando o governador Paulo Hartung atacou o intervencionismo na máquina política nacional, que “nasceu da Fiesp”, e citou o “muro de pedra” de “poderosas corporações do setor privado” em seu discurso no encerramento do evento da Fundação Ulysses Guimarães, do seu partido, reforçou seu sonho dourado de galgar um lugar na política nacional.
 
Minutos antes, o ministro de Desenvolvimento Social, Osmar Terra, em rápida passagem no evento, realizado na manhã desta quinta-feira (14) no Vitória Grand Hall, já dera a senha do que seria o pronunciamento: Paulo Hartung é o candidato a presidente da República, disse o ministro.
 
As calorosas palmas do público formado por políticos da capital e interior, alguns já encostados da vida pública, como o ex-senador Camilo Cola e o ex-prefeito de Cachoeiro Roberto Valadão, enchiam o auditório. O clima de euforia se harmonizava com perfeição ao banner pregado no fundo do palco com a frase “Chegamos a Vitória”.
 
No entanto, contrastava com a ausência da senadora Rose de Freitas, vice-presidente do partido no Estado, o que gerava comentários entre os presentes do tipo “o pessoal está dividido” e “o evento é para PH”. Rose preferiu seguir em busca de apoio a fim de reunir condições visando a disputa da eleição ao Palácio Anchieta, no ano que vem. 
 
Hoje, Rose é um muro no cenário estadual que Hartung terá que transpor. Essa é uma tônica observada no mercado político e, por isso, não é sem motivo que o governador se lance na política nacional. Vale-se da imagem de bom gestor, com um ajuste fiscal bem sucedido, segundo as ações midiáticas desenvolvidas no Estado e em nível nacional, que construíram essa imagem. Internamente, porém, ele não é visto desse modo, principalmente entre o funcionalismo público.
 
O Brasil tomou o rumo errado, disse Hartung ao iniciar sua fala. “Não tem crise no mundo, tem crise no Brasil”, acrescentou. A frase despertou a atenção de muitos, que, bem informados, sabem da crise que o mundo atravessa.  Em seguida, disse: “Precisamos ser reformistas” e ter “lideranças coletivas”, arrancando aplausos da plateia, que, diante  daquele tom de voz  somente visto em palanques de campanhas eleitorais, sequer se dava conta da figura centralizadora do governador, o que lhe vale o codinome de “Imperador”.
 
Na mesa, o vice-governador César Colnago (PSDB), os cientistas políticos e palestrantes Paulo Konder e Paulo Baía, o senador Ricardo Ferraço (PSDB), o deputado federal Lelo Coimbra, presidente estadual do PMDB, o secretário de Governo, José Carlos da Fonseca Júnior (PSD), a deputada estadual Luíza Toledo, prefeitos e vereadores do interior. Todos atentos à fala final de PH. 
 
Ele desejou a todos um feliz Natal, sem conseguir esconder a roupagem eleitoral. E como o ministro, que veio só de passagem, saiu logo em seguida e não ficou para o almoço com os participantes do evento: ambos tinham "outros compromissos previamente agendados". 
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