Homem, animal político

No sistema em que vivemos, política é uma profissão e os sujeitos se engajam numa carreira ascendente de poder e dinheiro

Aristóteles viveu entre o século V e IV aC, e, conhecido até hoje como “O Filósofo”, definiu o ser humano como: “ZoonPolitikon”, isto é, um animal político. A partir de seus estudos e observações, constatou que o homem é necessariamente um ser gregário, não pode viver sozinho, não produz tudo que precisa em produtos e serviços, precisa da comunidade. Além disso, precisa de um regulador para os conflitos em seu relacionamento social. 

A palavra política tem origem no termo grego politiké, que é a união de outras duas palavras gregas: polis e tikós. Polis significa cidade (Estado) e tikós é um termo que significa o bem comum dos cidadãos. Assim, politiké é um termo grego que significa governo da cidade para o bem comum dos cidadãos.

O Estado é um contrato social assinado pelos habitantes de um determinado território. A assinatura se dá a partir do nascimento ou no ato de entrada para estrangeiros, quando são obrigados a aceitar suas leis no ato da entrevista imigratória.

A função desenvolvida pelos políticos, o governo ou a governança do Estado está ligada à execução da burocracia própria de suas atribuições, previamente definidas pela Constituição. Assim, o político é responsável pela administração do que chamamos “coisa pública”. Segundo Platão, também filósofo antigo e professor de Aristóteles, o ideal é que a função de governante seja exercida pelo sábio, que a todo momento está refletindo sobre a melhor vida possível para o povo do estado, o que deve se aplicar a qualquer regime ou forma de governo.

Na atualidade, com raras exceções, a política dos políticos tomou outro rumo. No sistema republicano e democrático em que vivemos, política é uma profissão e os sujeitos se engajam numa carreira ascendente de poder e dinheiro. Além disso, “o bem comum dos cidadãos” quase sempre é esquecido e a importância maior está na manutenção do próprio sistema de governança, no funcionamento da máquina político-administrativa. 

As ações estão envoltas num imbróglio de interesses, primeiramente eleitorais, para a manutenção do poder, e financeiros, com grandes empresas fornecedoras de materiais e serviços. Infelizmente, a maioria dos nossos políticos eleitos para representar o povo se divide em defensores de interesses próprios e de grupos de apoio eleitoral que os ajudam a se manter no poder e, em muitos casos, se não na maioria, do próprio enriquecimento. 

A reeleição indefinida nos cargos eletivos acaba por afastar esses representantes de seus representados, afetando a legitimidade da representação.

Isso se dá principalmente em democracias muito jovens, pouco maduras, em que o povo ainda precisa aprender e entender o “poder do povo para o povo”, não apenas no momento do sufrágio, onde, na maioria das vezes, é exatamente o poder e o dinheiro que definem os eleitos.

Mesmo quando as manifestações populares influenciam os atos, por trás dessa influência ou da manifestação em si, tem sempre interesses escusos que transformam a manifestação popular em massas de manobra para interesses escusos. 

A única saída para essa situação é a participação ativa do cidadão no acompanhamento do exercício desses mandatos, exigindo a transparência das ações e efetiva defesa do interesse público por seus representantes, ou seja, o verdadeiro exercício da cidadania.


Everaldo Barreto é licenciado em Filosofia.

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