Hora da troca

A troca de partidos políticos em ano eleitoral, sem levar conta uma ideologia, mostra que de fato 'os fins justificam os meios'

No momento em que o mundo se assusta, temendo uma terceira guerra mundial decorrente do ato terrorista de Donald Trump contra o Irã, uma guerra de outro tipo acontece nos bastidores da cena política, silenciosa e sem armamentos mortais, tendo como motivação unicamente a garantia de acomodação nas eleições municipais de outubro desse ano. 

As ações das lideranças e também daqueles que almejam alcançar esse patamar demonstram o quanto é acertado o contexto erguido por Nicolau Maquiavel, o célebre pensador florentino (1469/1527), para quem “os fins justificam os meios”, ou, trocando em miúdos, segundo a sabedoria popular, “farinha pouca, meu pirão primeiro”. 

Nesse início de ano eleitoral, os movimentos se tornam mais explícitos, cada um buscando ampliar o nível de abrangência junto ao seu público. Para obter êxito, porém, necessitam da máquina partidária, guardiã dos recursos, principalmente os financeiros, extremamente essenciais ao desenvolvimento de uma campanha bem sucedida. 

É chegada a hora da troca de siglas, tarefa facilitada pela ausência, na grande maioria, de uma ideologia político-partidária, que tem na base do fazer político, de forma quase exclusiva, um discurso com teor meramente assistencialista. Agrada o eleitor, igualmente sem ideologia, porque formado em meio a frivolidades, que, desse modo, se torna alvo fácil para o acolhimento de conceitos falsos, cujos resultados muitas vezes se apresentam danosos. 

Estão próximas as janelas partidárias, período em que é permitida a troca de partido sem perder o mandato. A partir de março, os vereadores – e somente eles -, poderão ir para outras siglas, enquanto os ocupantes dos demais cargos eletivos terão que buscar na Justiça autorização para fazê-lo. Muitos são os vereadores e deputados que se movimentam nesse sentido no Espírito Santo, como no restante do País.  

Ainda para lembrar Maquiavel, vale ressaltar duas características por ele apontadas para um líder de sucesso: a virtude e a fortuna. A primeira, não anda muito na moda, e, quanto à segunda, é justamente o objetivo maior, levando em conta a expansão do patrimonialismo na classe política, quando agentes públicos deixam de distinguir o que de fato lhe pertence e o que é do Estado. Uma confusão despropositada, legitimada por uma legislação permissiva.   

Esse comportamento causa impacto à segunda característica, a virtude, que não se trata, bom ressaltar, de nada relacionado à religião, ao contrário do que apregoam fundamentalistas que distorcem conceitos históricos para justificar atos de violência, preconceito e incitação ao ódio. 

Ou simplesmente partem para ignorar a ética, a solidariedade, o acolhimento, o que é da mesma forma grave. Os resultados atingem a sociedade com grande impacto, que explode na geração de pobreza e desigualdades sociais, no aumento da violência e da criminalidade, sempre que a fortuna caminha à frente da virtude, formando um cenário caótico, como o atual. 
 

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para manter ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.