Hora da verdade

A equipe de transição marca o fim de uma era, a de Paulo Hartung, e pode dar respostas à sociedade

A partir da próxima terça-feira (16), com a primeira reunião das equipes de transição dos governos atual e o eleito, começa a transferência de dados que irão possibilitar a análise da atual gestão e facilitar a implementação do programa de governo de Renato Casagrande, eleito em primeiro turno concorrendo pelo PSB. 

Há quatro anos, por ocasião da transição da gestão Renato Casagrande, derrotado na campanha de reeleição, para Paulo Hartung (MDB), o governador eleito em 2014 afirmou que encontrava o Estado desorganizado, fora dos trilhos, ressaltando uma série de erros, em sua visão, cometidos pelo governador que saia, agora eleito com quase 60% dos votos, enquanto Hartung experimenta isolamento político, cenário agravado com a derrota de vários de seus aliados.  

As farpas atiradas contra o governo derrotado em 2014 se direcionavam, principalmente, à desorganização das contas públicas, falta de investimentos, apesar dos royalties do petróleo, de cerca de R$ 1,8 bilhão. “A prioridade número um está na educação, dar um choque de realidade na saúde e evoluir na segurança pública”, disse Hartung em entrevista à imprensa, selando, a partir daquele momento, o rompimento com Casagrande, que ele apoiara no passado. 

A equipe de transição irá mostrar dados positivos com relação à organização das contas públicas, sem dúvida. No entanto, a sociedade espera respostas para questões como a farra de incentivos fiscais, mantidos debaixo de sete chaves, a situação calamitosa da segurança pública e da educação, com a implantação do projeto Escola Viva, além de programas sociais que foram desativados.

No cenário atual, o combate à violência, muito pouco efetivo, não passa à população a sensação de segurança. Até mesmo porque os dados de organismos credenciados, como o Mapa da Violência, colocam o Espírito Santo com altos índices de criminalidade, ressaltando o assassinato de jovens e de mulheres negras. 

A segurança pública, é bom frisar, sempre foi um setor fora das prioridades, apesar de ações de aquisição de armas e equipamentos, que entram em peças de marketing que dão sustentação a Hartung desde o primeiro mandato. Há quem afirme que houve uma estagnação do ponto de vista da gestão pública para a segurança, fator que representa forte contribuição ao aumento da violência. 

O governador eleito afirmou que dará especial atenção aos contratos firmados pelo governo atual, principalmente naqueles com obras paralisadas, entre as quais devem ser incluídas Cais das Artes, que já consumiu cerca de R$ 200 milhões, e o projetos na área de mobilidade urbana. 

O encontro das duas equipes de transição, além do aspecto técnico, tem o simbolismo a marcar o fim de uma era que não se prolongou ainda mais pelo medo de rejeição, que levou Hartung a desistir e disputar o quarto mandato à frente do governo. 

As eleições demonstram um quadro negativo para o governador, que não conseguiu eleger vários de seus apadrinhados, entre eles os vices de seus três mandatos: Lelo Coimbra (MDB), Ricardo Ferraço (PSDB) e César Colnago (PSDB), derrotados em 7 de outubro, juntamente com o ex-secretário de segurança, André Garcia (MDB). 
 

1 Comentários
  • machado , sábado, 13 de outubro de 2018

    A Era Hartung não se prolongou graças a um movimento de bravas mulheres que, em fevereiro de 2017, expôs a intransigência de um governo que não dava atenção às demandas justas de todos os servidores estaduais. Aquele movimento representou a derrota do Imperador e sua condenação ao esquecimento.

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