Hora de desconstruir

As versões de aliados de Hartung tentam reduzir o impacto causado por adversários eleitorais

“Não adianta lamentar a morte da bezerra”, diz a sabedoria popular, para ensinar que em situações de crise o melhor é seguir em frente e tentar minimizar o estrago, colocando em prática outro conceito milenar chinês segundo o qual todo fato possui três versões.
É exatamente isso o que faz o presidente estadual MDB, deputado federal Lelo Coimbra, ao tentar explicar - ou deixar de fazê-lo - a perda de quatro deputados da bancada na Assembleia Legislativa, incluindo o presidente e o vice, e a apressada filiação ao partido do ex-secretário de Segurança, André Garcia.
A versão de que o MDB sai fortalecido, como foi divulgado por ele, se encaixa nos ensinamentos da sabedoria popular, e, mais do que isso, forma um contexto amplo visando à desconstrução dos fatos para, em seu lugar, colocar versões apropriadas que escondam posições favoráveis de eventuais adversários e a terra arrasada que ficou para trás. 
Apesar das versões de Lelo, não há como negar que a debandada da maioria da bancada na Assembleia Legislativa, reduzindo-a de sete para três deputados, é um golpe forte, ainda mais se levado em consideração que entre os insatisfeitos estão o presidente e o vice, os deputados Erick Musso (PRB) e Marcelo Santos (PDT). 
Trocando em miúdos: o MDB definha sob a influência do governador Paulo Hartung, levando em conta que o presidente Lelo Coimbra se movimenta segundo o ordenamento do Palácio Anchieta.  Não sem motivo, o mesmo ocorre com o PSDB, presidido pelo vice-governado César Colnago, também aliado de Hartung, que amarga a perda de importantes quadros.
Nos movimentos visando desconstruir os fatos, o bloco do governo usa os meios de que dispõe, com fartura, para atingir a pré-candidatura da senadora Rose de Freitas ao governo, com a informação de que, a se filiar ao Podemos, ela teria provocado o esvaziamento do partido de quadros para dar sustentação à sua campanha.
As articulações de bastidores demonstram que a pré-candidatura de Rose ao governo, com sua saída do MDB no apagar das luzes da janela partidária, desarticulou o alinhamento do governo, como mostra o vai-e-vem do ex-secretário André Garcia, que não sabia para onde o levavam. Restou para ele o MDB
Isso deixa claro que os movimentos de Rose foram precisos e, por isso, abrem campo favorável para um enfrentamento a um adversário que, mesmo com todo o controle da máquina pública, já não exibe tanto vigor. 
Nesse enfoque, vale lembrar, não cabe versão que se sustente: o MDB está à míngua, bem como o PSDB, e Hartung perdeu a unanimidade e segue em escala descendente, apesar dos esforços para parecer que tudo vai bem. Esses fatos não deixam lugar para outros argumentos. 
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