Jogo sujo

Como o conluio mídia-redes sociais distorce e falseia a realidade

Muita gente ainda não se deu conta do poder deletério das notícias falsas (as famosas fake news) disseminadas por jornais, revistas, emissoras de rádio-TV. Infelizmente, a ação da mídia tradicional está sob forte efeito de redes sociais, que mobilizam milhões de pessoas sem noção do nível de manipulação das informações veiculadas aqui e ali.

Se tradicionalmente os meios de comunicação social já atuavam como veículos de mensagens fraudulentas, o fenômeno da distorção de conteúdos tornou-se muito mais intenso e abrangente graças ao poder de multiplicação da internet, convertida ultimamente em ferramenta de marketing eleitoral.

Agora tudo se combina: é comum ver-se na telinha do computador ou na tela grande da TV equipes de rádio atuando em conjunto para, no afã de conquistar a audiência do público (e por tabela atrair verbas de publicidade), espalhar toda sorte de informação, apelando muitas vezes para notícias “plantadas” em jornais, revistas ou sites da mesma rede de mídia.

Lamentavelmente, a maior parte do público adepto do rádio e da TV não é capaz de discernir os interesses existentes por trás de notícias redigidas na linguagem jornalística convencional. Tampouco está apto a defender-se criticamente da manipulação praticada por irresponsáveis que propagam fofocas, por oportunistas que difundem boatos e por pregadores de evangelhos caça-níqueis, alguns colocados no comando de órgãos públicos.

Quem sabe o que é verdadeiro no noticiário?

Quem garante que uma notícia não foi plantada para beneficiar alguém ou prejudicar outrem?

Até que ponto os repórteres são infensos a pressões dos editores, dos publicitários, dos patrões ou dos patrocinadores dos seus programas? 

Quase sempre é o vil metal que está por trás das jogadas da mídia, minando seriamente o jogo democrático.

A coisa se torna grave quando tais práticas invadem os meios políticos, legislativos e judiciários. Aí se torna rotina a prática de “passar o pano”, dando margem à naturalização de crimes políticos (como o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco) e escândalos financeiros (como as propinas pagas por empreiteiras contratadas pelo Petrobras).

Há anos sucedem-se operações para apurar denúncias e suspeitas de malversação de fundos públicos. Uma centena de políticos e executivos passou pela prisão ou nela permanece em decorrência da Operação Lava Jato, que projetou o juiz paranaense Sergio Moro ao centro do palco político de Brasília como ministro da Justiça do governo Bolsonaro.  

Mas nem a Lava Jato está a salvo de suspeitas e contaminações. Agora se levanta novamente um caso que afeta diretamente o juiz herói de Curitiba e seus parceiros do Ministério Público.

Segundo o jornalista Luis Nassif, que tem uma carreira exemplar, o advogado Tacla Duran apresentou provas documentais de que pagou duas pessoas íntimas da corte de Sergio Moro para escapar da perseguição da Lava Jato: os advogados Marlus Arns e Carlos Zucolotto.

O primeiro foi parceiro de Rosângela Moro nas ações das APAEs do Paraná; o segundo é conhecido publicamente como melhor amigo de Sergio Moro e como parceiro e sócio de Rosângela. Ao contrário dos demais advogados de delação, os dois fazem parte do círculo íntimo de Sergio Moro e dos procuradores da Lava Jato.

No segundo caso, o de Zucolotto, há a comprovação de que sua proposta – de reduzir a multa de Tacla Duran de US$15 milhões para US$ 5 milhões, mediante o pagamento de US$ 5 milhões por fora – foi acatada pela Lava Jato. Tanto que o procurador Roberto Pozzobon encaminhou a Tacla Duran um e-mail referendando as condições propostas por Zucolotto. Conclusão do jornalista Nassif: “Há um cadáver no meio da sala e a brava mídia fingindo que não vê”.

LEMBRETE DE OCASIÃO

“Os jornalistas, quando aceitam a imposição dos patrões, do que pode e do que não pode ser veiculado, trocam o cerne de sua profissão por um salário que não receberiam se fossem profissionais. Portanto, para usar uma linguagem lavajatiana, recebem vantagens indevidas. São corruptos então! Os jornalistas são corrompidos e os patrões, que por sua vez obedecem aos grandes anunciantes que sustentam sua incompetência, são os corruptores”.

Wilson Carlos, leitor do site GGN, comentando a manipulação de informações pela mídia

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