Maré alta

Casagrande tem a certidão política de adversário de Hartung, mas será, de fato, o principal nome da disputa a ser batido?

Se há uma convicção no meio político, e não teria como ser diferente, é de que a eleição ao governo do Estado irá para o segundo turno, já tendo até formatação. De um lado Paulo Hartung, pilotando uma máquina administrativa voltada para a sua reeleição e com a estratégia habitual de jogar desalinhados no fogo e, do outro, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e a senadora Rose de Freitas (Podemos), trocando figurinhas o tempo todo, no sentido de preservar e unir votos.
 
Dos políticos que giram em torno de PH, destaca-se o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PRB), que apesar da precariedade eleitoral, faz parte do grupo que criou o PRB para garantir campo para o governador, agrupando figuras como o deputado estadual Amaro Neto. Mas ele, diferente do Erick, mostrou musculatura na disputa à prefeitura de Vitória contra Luciano Rezende (PPS), quando perdeu por pouco.
 
O Amaro sorri muito, principalmente para PH, mas ninguém passa o guizo nele. É um cara que veio à tona na cena política capixaba de repente e por conta própria. Não é de servir de degrau para ninguém. É pretensioso e sabe lidar com o eleitorado de baixa renda. Quer dizer, é um produto caro e raro. 
 
Saber quem será o adversário central de PH ainda é prematuro, assim como qualquer previsão sobre o resultado final do pleito. Casagrande leva vantagem sobre Rose nesta disputa com PH, pelo fato de ter a certidão política de seu principal adversário. As pesquisas realizadas no Estado mostram esse quadro com muita clareza, mas isso não assegura a sua escolha.
 
Já Rose é uma figura enigmática na política regional. É personagem de voo próprio. Não chegou ao Senado por engano. Lida bem, aliás, muito bem, com o eleitorado. Há tempos que PH quer se livrar dela e, apesar de sua experiência neste ramo, ainda não conseguiu.
 
Quando se chega ao espectro partidário, PH está em desvantagem. Ele conta com o MDB esfacelado, sobretudo pela saída da Rose, e, na mesma situação está o PSDB. Se dependesse dos dois partidos, não iria nem para o segundo turno, mas não é este o caso. O governador depende da máquina administrativa, que já está funcionando em ser favor, a todo vapor.
 
Para melhorar, PH precisaria do DEM, mas como já falei em colunas anteriores, este está nas mãos de adversários, Teodorico Ferraço e Norma Ayub.  
 
O desenho eleitoral mostra que PH vai ter de enfrentar Rose aliada a Casagrande ou vice versa. O ex-governador contando, ainda, com um trunfo na eleição majoritária, o deputado estadual Sergio Majeski, ostentando a medalha de anti-PH. 
 
As movimentações eleitorais deixam claro que o governador está passando por um sufoco nunca antes experimentado na política capixaba. Terá de buscar saídas, pela primeira vez, como qualquer outro político.
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