No caminho da hipocrisia

A alienação maciça frente aos problemas sociais leva a população, manipulada, a exaltar heróis rotos e autoritários

O capitão presidente, Jair, foi eleito com 57,7 milhões de votos, mas nem por isso pode ser apontado como um grande líder, haja vista a queda de 40% para 35% no índice de aprovação do governo, segundo levantamento do XP Investimento, realizado entre 6 a 8 deste mês. No mesmo período, o levantamento registrou uma elevação de 20% para 31% entre o que acham sua gestão ruim ou péssima. 

Em consequência do seu despreparo e da insegurança demonstrada na tomada de decisões, esses níveis tendem a ser ampliados, como apontam projeções com base nos rumos da economia e na ausência de alterações no ambiente da política partidária. Jair segue com o mesmo modelo adotado em seus 28 anos como deputado federal, sem projetos, sendo levado por correntes onde interesses pessoais e familiares possam ser acomodados. 

A liderança do capitão presidente vai se consolidando, passados cinco meses de governo, apenas em setores desinformados da população ou alienados por conta de distorções político-religiosas, canais de manifestações descontextualizadas de qualquer raciocínio lógico. Ao lado dos que rasgam e queimam camisas do presidente e outros símbolos, há os que o comparam a líderes históricos, cuja existência transformou nações e influenciou o mundo. 

Totalmente fora de nexo, sob qualquer ponto de vista, alguns desinformados comparam o capitão a homens como Moisés, o hebreu que liderou a libertação dos judeus da escravidão do Egito, considerado um herói e cantado em três maiores religiões do planeta: o cristianismo, o islã e o judaísmo. Junto a esses homens, o capitão surge como um cavaleiro da triste figura, roto e desprovido de quaisquer atributos heroicos e altruístas.  
Como Moisés, afirmam mensagens que circulam nas redes sociais, o capitão “luta para libertar a população, mas o povo quer retornar ao jugo do Egito”. Nesse caso, a referência é aos governos do PT, partido demonizado pelas grandes corporações de mídia, seguindo a estratégia de poder dos Estados Unidos para a América do Sul, a fim de recolocar os governos locais sob sua tutela. 

E conseguem relativo êxito, utilizando métodos de manipulação largamente aplicados em governos autoritários, atacando principalmente ícones e normas religiosas, mantendo parte da população aprisionada em um falso patriotismo e na religiosidade hipócrita e omissa quanto aos verdadeiros problemas da sociedade. 

Usados como bois na manada, esses religiosos corrompem as ordenanças e conseguem dizer que celebram o amor, como neste Dia das Mães, mas, ao mesmo tempo, fazem “arminha” com as mãos, vestem uniformes militares, exaltam a violência, camuflam seus reais sentimentos violentos escondidos no profundo. Desse modo, exaltam torturadores e aplaudem recente decreto do capitão liberando o porte de armas de fogo. 

Um cenário de mentira, que se expande e coloca toda a população em risco, ameaçada pelo autoritarismo, da mesma forma que na tragédia de 1938/45, na Alemanha, e em 1964 no Brasil. A lembrança dos mortos e desaparecidos ainda está bem presente na memória de muitos, inclusive do capitão presidente, que a exalta. 

Ao contrário de um grande herói, o capitão Jair mais se parece com o D. Quixote, o cavaleiro da triste figura do romance de Miguel de Cervantes, erguendo moinhos de ventos fantasiosos, como o “kit gay” e outras fake news, que engabelam os incautos e os leva a cair na cilada do seu projeto de poder, de todo vazio. Ou Macunaíma, de Mário de Andrade, bem mais apropriado para o atual governo.

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para manter ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.