No fundo, é a sucessão

Blocos políticos liderados por Casagrande e Erick Musso se articulam para 2020

As articulações desenvolvidas para a aprovação do projeto que altera os critérios para promoções na Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, nessa quinta-feira (25), na Assembleia Legislativa, demonstram a formação de núcleos de resistência ao governo do Estado, apesar da vitória pelo placar de 18 a 11 votos.  

O que estava em jogo, muito acima dos benefícios e desvantagens concedidos aos militares, era a construção de bases sólidas para estruturas eleitorais de 2020, desenhando perspectivas acentuadas para a sucessão do governo, em 2022. 

Como protagonistas principais, o governador Renato Casagrande e o presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), duas lideranças que poderão estar mais articuladas a partir das eleições municipais ou separadas por particularidades eleitorais por ocasião da sucessão estadual. 

As negativas do governador de que ainda é cedo para falar nesse assunto já não convencem. Ele é candidato à reeleição e se movimenta no sentido de manter influência entre os parlamentares e os prefeitos municipais. Exatamente o campo de atuação do deputado Erick Musso, seguindo a estratégia do seu partido de eleger pelo menos 30 prefeitos em 2020. 

Caso dê frutos, essa estratégia o levaria a uma situação bastante confortável, qualificando-o a impor seu nome como vice na chapa de reeleição de Casagrande e a partir daí partir para voos mais altos.   

Esse é o cenário colocado no tabuleiro político, que mostra o crescimento do bloco que Erick Musso integra, juntamente com pesos-pesados como Amaro Neto, o mais votado no Estado na disputa á Câmara Federal em 2018. A maioria das lideranças do grupo tem como elemento favorável a idade. 

Erick Musso, por exemplo, cumpre o segundo mandato de presidente da  Assembleia Legislativa aos 32 anos e depois de deixar para trás o ex-governador Paulo Hartung, que ajudou a elegê-lo em 2018, ampliou o círculo de  articulação e, com isso, a densidade eleitoral. 

Dos 11 votos contrários a projeto do governo, sete são de deputados do grupo de Erick e pré-candidatos potenciais a prefeito. Vandinho Leite (PSDB) e Alexandre Xambinho (Rede) devem disputar a prefeitura da Serra ou formalizar uma composição. Da mesma forma em Vila Velha, com Danilo Bahiense (PSL), Rafael Favato (Patri) e Hudson Leal (PRB), que leva vantagem sobre os outros por sua experiência e traquejo partidário. Em Guarapari, o grupo conta com Carlos Von (Avante).

Vitória é um caso à parte: no grupo de Erick, o deputado Lorenzo Pazolini (sem partido) deve ser ofuscado por Amaro Neto (PRB), aposta maior para entrar na disputa com o deputado Sergio Majeski (PSB).

De atuação independente, apesar de ser do mesmo partido do governador, Majeski tenta sair do isolamento e se agregar a outras lideranças, entre elas o próprio governador Casagrande, com quem almoçou nesta semana. 

A  sucessão municipal será o termômetro e indicará se os dois blocos caminharão juntos ou não. 

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