No mato, sem cachorro!

Pelo ritmo da caminhada, fica cada vez mais complicado o sonho dourado de Casagrande retomar o assento no Palácio Anchieta

Pelo ritmo da caminhada, fica cada vez mais complicado o sonho dourado do ex-governador Renato Casagrande (PSB) retomar o assento no Palácio Anchieta. Ele bate perna sem parar no interior, visita lideranças, usa as redes sociais, mas aparenta estar sem rumo. 
 
Casagrande perdeu o segundo mandato para o governador Paulo Hartung, que venceu a disputa em 2010 por meio de um astucioso projeto político cheio de lances ousados, e, também, pela ineficiência de sua assessoria, que construiu uma imagem inconsistente e frágil, totalmente oposta ao codinome “Casão” que tenta, sem sucesso, popularizar. 
 
As peregrinações de Casagrande pelo interior do Estado, com discreta repercussão nas redes sociais, trazem o mesmo do que foi o seu governo, com a ausência da marca do gestor, do agente público eficiente.  O ex-governador não conseguiu colar essa marca na opinião pública, imprescindível para quem deseja manter-se na política, especialmente em cargos eletivos de destaque. 
 
A ausência de eficientes canais de comunicação para favorecer o diálogo com o eleitorado e o encolhimento do PSB depois da morte em acidente aéreo do presidenciável Eduardo Campos, de Pernambuco, representam sofridas dores de cabeça para o ex-governador. 
A partir do acidente que vitimou Campos, em 13 de agosto de 2014, o PSB entrou em declínio e ainda não conseguiu se recompor. Busca alianças, principalmente com o PDT de Ciro Gomes, candidato à Presidência da República. 
 
No xadrez da política sucessória no Espírito Santo, no entanto, essa aliança é extremamente complicada. O presidenciável não nutre simpatia pela candidatura de Casagrande, conforme ele mesmo anunciou em sua última visita ao Estado, mês passado.
 
Com as investidas do governador Paulo Hartung, que, no final das contas é o fiel da balança na definição das candidaturas ao governo do Estado em 2018, e o espaço tomado pela senadora Rose de Freitas (PMDB), o sonho de Casão retornar ao Palácio Anchieta vai ficando cada vez mais distante.
 
A caminhada do ex-governador recebeu outro duro golpe com a delação feita pelo pagador oficial de propina da Odebrecht, Sérgio Neves, no ano passado. Ele denunciou ter acertado o pagamento de um valor dentro do Palácio Anchieta, quando Casagrande era o governador.  Apesar de a denúncia não ter avançado, causou arranhões.  
 
Isolado, o ex-governador hoje conta com o apoio do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), que, em baixa como gestor eficiente, vai tocando o barco ao mover das ondas, que não estão lá muito favoráveis para ele.
 
O mover político reserva muitas surpresas, mas, pelo caminhar do ex-governador, a tendência é ele se embrenhar em densas florestas sem trilhas apropriadas. 
 
Desfeito o sonho dourado do Anchieta, resta-lhe tentar uma vaga para a Câmara Federal, já que a disputa para o Senado é terreno pedregoso, impraticável para quem, como “Casão”, está no mato sem cachorro.
 
É o quadro que está colocado para março-abril de 2018, quando as candidaturas estarão definidas para as eleições de outubro. 
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