Nova política?

O RenovaBR amplia os tentáculos do mercado junto à classe política

Acontece nesta quarta-feira (4), em Vitória, a apresentação das propostas do RenovaBR, um instituto de formação de lideranças políticas, como parte do projeto de  grandes empresários em alterar o perfil da classe política brasileira, a fim de adequá-la a uma visão corporativista de mercado. 
Esse projeto estava por trás da candidatura do apresentador de TV Luciano Huck, abortada no nascedouro, e dele fazem parte figuras conhecidas da política neoliberal, como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e os empresários Abílio Diniz e Eduardo Mufarej. 
O governador Paulo Hartung transita com desenvoltura no grupo, a ponto de ser alçado como figura de destaque na política nacional, como vice na chapa presidencial de Luciano Huck. 
Portanto, não é sem motivo que o secretário de Agricultura, Octaciano Neto (PSDB), seja um dos bolsistas do RenovaBR, que criou um “fundo cívico” para eleger de 70 a 100 deputados federais nas eleições deste ano. 
O ato desta quarta-feira, o primeiro no Espírito Santo, faz parte da estratégia do grupo de ampliar sua atuação no Estado, onde já existem, além de Octaciano, os bolsistas Júlio Pompeu, secretário de Estado de Direitos Urbanos, Gustavo de Biase (Rede), secretário de Agricultura da Serra, e Filipe Rigoni. 
O RenovaBR  se apresenta, coforme um de seus fundadores, o empresário Eduardo Mufarej, como um canal de renovação no modo de fazer política. No entanto, os objetivos do grupo são questionados por setores da política, considerando o nível de envolvimento do setor empresarial, cuja influência no Congresso é vista como excessivamente prejudicial ao país. 
Com a ampliação da chamada política de mercado, o papel do Estado como condutor da economia será drasticamente reduzido, provocando perdas à população, principalmente na área social. 
O programa do RenovaBR se ajusta perfeitamente à gestão do governador Paulo Hartung, excessivamente ligado às corporações dentro de uma visão neoliberal em detrimento dos avanços sociais. 
Foi esse modelo de gestão, é bom lembrar, que colocou o Espírito Santo no arrocho fiscal que sacrifica servidores públicos e mantém em baixa os investimentos com recursos próprios do governo. 
A organização do corporativismo empresarial, por essa via, visa ampliar esses tentáculos, possibilitando maiores facilidades e aprovação de seus projetos no Parlamento.
Tudo dentro do figurino, com o objetivo, unicamente, do desenvolvimento do mercado. Quanto às outras políticas, passam para segundo plano. O Estado Mínimo é assim.
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