O abono como estratégia política

Como hábil conhecedor do seu mister, Hartung vislumbra apenas a conjuntura de 2018

Maquiavel, o celebrado formulador da ciência política, ao contextualizarque os fins justificam os meios, desmistifica a política, da forma como os gregos a viam, e afirma que cabe ao governante fazer alguns atos de crueldade para que o povo veja quem é o governante, mas, de outro lado, ele não pode ser cruel demais. Trazendo para os dias atuais, é mais ou menos isso o que faz o governador Paulo Hartung em relação ao funcionalismo público estadual. 
 
Há anos sem reajuste e alvo de um tratamento destituído de qualquer sentimento humanitário, excetuando-se evidentemente as ações inseridas em bem elaboradas peças de marketing, os servidores ganharam neste final de ano um refresco por meio da concessão do abono de Natal, no valor de R$ 1 mil. 
 
É claro que dá para aliviar pelo menos alguns dissabores decorrentes dos vencimentos defasados da maioria dos 90 mil servidores. Além disso, o abono representa uma injeção de R$ 90 milhões na economia, mesmo que passageira, contemplando dessa maneira o setor de comércio e serviços. Para os servidores, no entanto, a lógica é esta: o dinheiro do abono rapidamente some no embalo das festas de fim de ano e, depois defindos o riso e a alegria, logo aparece 2018. E aí tudo retorna ao normal, já que o contracheque de janeiro virá magro como sempre, do mesmo jeito que há três anos. 
 
Como hábil conhecedor do seu mister, a política, na verdade Paulo Hartung vislumbra a conjuntura de 2018, pois a eleição passa por aí, ou seja, pelo servidor público, deixado à míngua nos últimos anos. Com a imagem em baixa junto à classe, apesar de toda cobertura da imprensa corporativa, o governador sabe da força do servidor público para seu futuro político, principalmente depois de ser descartada sua aventura malsucedida de ser vice de alguém na chapa presidencial. E olha que ele correu, exibiu-se, ofereceu-se até não mais poder.
 
Mas, ao contrário dos filósofos gregos, para quem a política não pode ser feita a partir da demagogia, Paulo Hartung se encaixa com uma luva na leitura realista que Maquiavel faz do homem, em O príncipe. Neste livro, como aqui e agora, a política é egoísta e ambiciosa, só isso. E o abono, nada mais é do que uma estratégia para construção de imagem. O governador é mestre nessa prática, tanto assim, que se mantém no poder há décadas, sem fidelidade partidária ou ideológica, pois sua visão só tem um foco: PH. 
 
Quiosque e quiprocó
 
Sérgio Sá (PSB), o vice-prefeito e secretário de Obras de Vitória, ganha mais um round na disputa de poder, ainda que de forma velada, com  o vereador e supersecretário Fabrício Gandini (PPS). Nesta terça-feira (12), ele festeja a reabertura de sete quiosques na orla de Camburi, na longa história de fecha e abre que vem desde a administração de João Coser (PT).
 
A festa só dura até fevereiro, quando os quiosques devem fechar as portas, caso a prefeitura não solucione de uma vez por todas os problemas que impedem o seu funcionamento normal. Portanto, quando o prefeito Luciano Rezende (PPS) diz que resolveu em “grande estilo uma demanda da população”, sua fala cai no vazio, reforçando, aliás, uma marca de sua administração.
 
Ali mesmo, no trecho da Praia de Camburi, depois do Clube dos Oficiais, pode-se ver um exemplo: os velhos quiosques que deveriam ser reformados permanecem como estão há anos, e o tão falado Parque Zé da Bola ainda não saiu do papel. Em lugar do grandioso empreendimento, a prefeitura construiu uma pista de skate, alavancada por Gandini.
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