O Brasil e a luta de classe

As eleições presidenciais contribuem para levar o povo às ruas, palco maior da defesa da democracia

Qualquer que seja o resultado das eleições deste domingo (28) entre Fernando Haddad (PT) ou Jair Bolsonaro (PSL), o Brasil entra para valer em um contexto mais aberto de luta de classes, ignorado nas últimas duas décadas, totalmente dividido e em clima de confronto, como demonstra o crescimento de manifestações da extrema-direita.  

Apesar dos avanços em todas as áreas, com mais acertos do que erros, os governos petistas cometeram equívocos, primeiramente ao apostar na coalizão com as forças que por séculos dominam o País, acostumadas a privilégios somente a elas concedidos às classes e, nessa visão, impensáveis para os demais. Em segundo lugar pela desorganização interna que deu lugar a malfeitos com resultados desastrosos. 

Para estes, as conquistas sociais representam ameaça à manutenção de controle de poder da sociedade, exercido em diferentes níveis, que ocorre por meio de ocupantes de cargos eletivos, gestores de segundos e terceiros escalões da máquina pública e lideranças religiosas que se deixam levar ao círculo de poder e se transformam em bases poderosas de sustentação de dominação e opressão das camadas mais pobres da sociedade.

Um comportamento que vem desde o início do século XX, com a chegada de missionários norte-americanos ao Brasil. Era parte de uma estratégia de dominação política e econômica por meio da fé cristã, que, depois do fim da segundo Guerra Mundial, se transformaria em importante frente anticomunista e toado por falsos moralistas, para combater o fantasma criado pelos Estados Unidos na chamada Guerra Fria, que perdura até os dias atuais.

Esse receio, juntamente com o discurso em defesa da família e dos bons costumes, foi um dos chamamentos da campanha de Jair Bolsonaro, obtendo maior êxito entre as camadas menos escolarizadas, sem qualquer senso crítico, com mentes cauterizadas e totalmente tomadas por mensagens de meios colocados à disposição em plataformas de mídia como TV, celulares e videogames. 

Entre os mais abastados, a aprovação se dá pelos interesses pessoais ou de grupos defensores de privatizações e de programas cujas origens estão fora do País, configurando denúncias históricas. 

"No Brasil, sempre foi uma camada miúda e muito exígua que decidiu. O povo sempre está inteiramente fora disso. As lutas ou mudanças são executadas por essa elite e em benefício dela, é óbvio”, afirma o historiador Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro Raízes do Brasil, editado em 1936, mas ainda atual em alguns aspectos. 

Esse cenário é sustentado pelos meios de comunicação corporativa, controlados por seis famílias que integram esse poder oligárquico desde o império e utilizados para anestesiar consciências. Nesse contexto, só existe um saída: a rua, palco maior da resistência e das mudanças sociais, como mostra a história, como pode ser visto neste sábado (27) em Vitória e em todo o País. O Brasil viveu esse despertar, que deve perdurar por muito tempo, e contribuir para uma sociedade mais justa. 

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