O caminho das pedras

A possibilidade de Max Filho se inserir no pequeno conjunto de candidatos ao governo do Estado pode driblar a dupla Hartung e Casagrande

A possibilidade de o prefeito de Vila Velha, Max Filho (de saída do PSDB), se inserir no pequeno conjunto de candidatos ao governo do Estado pode balançar a disputa, qual seja, já que Max pode driblar a dupla Paulo Hartung e Renato Casagrande (PSB).
 
Isso porque Max Filho tem o perfil que falta neste conjunto. Alguém com capacidade de se tornar o grande antagonista de Hartung. Personagem que, até então, não surgiu. Hartung e Casagrande são águas do mesmo pote. São os nomes que inventaram o sistema de Unanimidade, exatamente para não existir alguém para virar o “anti”. É só olhar para os praticamente 16 anos em que Hartung preponderou no cenário político do Estado.
 
Max Filho tem uma história herdada do pai de enfrentar árduos combates e sabe muito bem que, no tamanho que está hoje o governador, cabe a existência desta figura, preenchendo um vazio que também daria mais espírito democrático ao pleito. 
 
A inexistência do anti-Hatung é que resultou nos três mandatos de Hartung  e no de Casagrande. Se nesse longo período houve alguém que pudesse representar a oposição, deixou de sê-la, em algum momento. 
 
Poderia perguntar: mas ele vai ganhar a eleição? Não responderia sim de saída, mas o fato de não ter essa certeza, é insuficiente para não existir o anti-Hartung. 
 
Como a longevidade política do Max Filho está assegurada, ganhando ou perdendo, concorrendo ele consolidará maior projeção dentro do cenário político do Estado. 
 
Admitindo que Max Filho vá ao processo eleitoral, mas não ganhe o governo agora em 2018, como é seu propósito, de qualquer forma terá nascido a figura do anti-Hartung. Terá maior espaço de movimentação e criará mais condições para o futuro.
 
Hoje, quando se fala no processo eleitoral, quase que só aparece Hartung e Casagrande. Duas figuras desgastadas. Mesmo com a grana que Hartung está distribuindo pelo Estado, ele não tem certeza que conseguirá a reeleição. 
 
Casagrande é diferente. Sabe-se que a derrota sofrida na última eleição para Hartung o intimida a enfrentá-lo. Está na cara que ele quer um mandato, independente de ser governador ou senador, ou qualquer outro. Se bem que não acredito que queira um mandato de deputado federal. 
 
A candidatura ao governo de Max Filho permite os riscos naturais que uma disputa democrática deve ter e ele se armou para corrê-los. Basta ver como vem enfrentando seus desafios. Foi para o PSDB e promoveu o crescimento do partido. Era possível vê-lo sozinho, indo para o interior, criando diretórios. Depois encarou a disputa pela presidência, contra o vice-governador Cesar Colnago, representante dos interesses de Hartung. Quando enfrentou a eleição para prefeito, colocou na vice um membro de uma família tradicional e longa fidelidade ao pai e, consequentemente, a ele.
 
É esperar para ver. Eu arrisco dizer que este quadro de possiblidades aqui pintado tem tudo para acontecer. Mergulhos no passado comprovam o temor que Hartung sempre teve pelo crescimento do Max filho. Em duas oportunidades, fechou as portas de vários partidos para Max não entrar. Quem teme, conhece os motivos. 
 
Max Filho pode ser o ator político para este momento em que a “Era PH” balança. O caminho das pedras para quebrar a hegemonia desse longo período sob o comando de Hartung.
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