O dia seguinte

Reeleição de Erick Musso provoca mal-estar no governo e coloca à mostra sucessão estadual

A aprovação casada da reforma da Previdência do governador Renato Casagrande (PSB) e da emenda constitucional que garantiu a extensão do mandato do deputado Erick Musso (Republicanos) na Presidência da Assembleia Legislativa até 2023 teve desdobramentos inesperados já a partir do dia seguinte à consumação do provável acordo. Emenda aprovada, Erick de pronto se reelegeu, surpreendeu o cenário e desagradou o governador.  

De um lado, Erick avança, para surpresa da outra parte, e penetra em áreas até então sob o domínio de Casagrande, levando-o a adotar, apressadamente, medidas indispensáveis para manter o protagonismo nas eleições municipais e assegurar a sua própria sucessão, em 2022. As conversas em torno desse tema se intensificam e ficam a descoberto, cada um mostrando de que lado está. 

A destituição do seu líder na Assembleia, deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), inserido no grupo do presidente e se colocando contrário a demandas do governo no âmbito do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), faz parte dessas providências. Tem que ser considerado ainda o sinal vermelho aceso no Palácio Anchieta, pela inserção da imagem do ex-governador Paulo Hartung (sem partido) no vídeo publicitário divulgado por Erick Musso no dia seguinte à votação dos dois projetos. 

O receio é que o ex-governador, adversário de Casagrande, esteja se movimentando de forma a influenciar a política local, como ocorreu no último mês de outubro, por ocasião do lançamento da candidatura à Prefeitura de Vila Velha da empresária Tayana Dantas, que embora tenha morrido no nascedouro, não apagou o sinal de alerta no Palácio Anchieta. 

Seria especulação demasiada colocar o ex-governador na vanguarda dos avanços de Musso, mas, para avivar a memória, ressalte-se que o deputado rodou o Estado a bordo do helicóptero do então governador, entre 2017 e 2018, e que chegou a citá-lo como potencial candidato ao governo. Esses laços ainda podem estar bem atados, apesar de pessoas próximas a Erick afirmarem que “Hartung é passado”. O mercado não acredita nessa afirmativa.  

Especulações postas ao lado, mas nunca esquecidas, o fato é que Casagrande sentiu, além do susto, a quebra do controle que exercia, ou parecia exercer, no Legislativo. De posse de cerca de 300 cargos comissionados, Erick Musso soube jogar e aproveitou o momento oportuno, no qual goza de prestígio em regiões do interior onde, ao entregar obras, vestiu o papel mais apropriado a ocupantes do Poder Executivo. 

A atitude de Erick Musso, com muita propriedade questionada do ponto de vista ético, demonstra que as candidaturas à sucessão estadual começam a ser colocadas de forma mais aberta, ele próprio à frente de um grupo que pretende passar à frente dos movimentos de reeleição de Renato Casagrande. Por falta de uma articulação mais precisa, o governador levou uma rasteira. 

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