O dia seguinte

O governador Paulo Hartung terá que se voltar mais intensamente à sua sucessão, depois de desfeito o sonho de ser vice de Luciano Huck

O naufrágio da candidatura do apresentador de TV à Presidência da República representa uma paulada e tanto nas forças conservadoras concentradas  em torno da manutenção do modelo atual, apesar do discurso de refundação da política.
E repercute de forma intensa nas composições em andamento para a sucessão nos estados. Bom para uns, pior para outros. Entre os que sentiram o impacto uma figura que se destaca é a do governador Paulo Hartung (MDB).
Não só por sua proximidade com lideranças nacionais, mas, e principalmente, pela necessidade imperiosa que ele tem em buscar novos horizontes em sua trajetória fora do cenário local. Por aqui, sua imagem experimenta desgastes profundos que precisam de reparos urgentes. 
Lançado por setores da mídia nacional e estimulado por grupos neoliberais controlados pelo mercado, Hartung se projetou e embalou o sonho de ser vice na chapa de Huck ou de outro candidato com esse mesmo perfil.
Era o modelo ideal para o Brasil. Sua política de ajuste fiscal, gestão pública, modelo de Estado e empreendedorismo envoltos no rótulo de modernidade se encaixou de forma suave nos meandros projetados por seus mentores, à frente deles o banqueiro Armínio Fraga.  
Em contrapartida, esse modelo gerou retrocesso em vários setores da sociedade capixaba, ampliando o nível de insatisfação que pode ser exemplificado pela greve da Polícia Miliar, em fevereiro de 2017, a revolta do funcionalismo público e uma quase total falta de entrega de obras à população.  
Para ele, portanto, o dia seguinte à desistência de Huck é o começo do retorno, agora de forma mais intensa, ao cenário político estadual. Embora nunca tenha se ausentado da cena local, Hartung vai se encontrar um tanto isolado em sua caminhada rumo à sucessão.
Esse é o caminho que terá que trilhar, já que o voo sonhado na política  nacional azedou de vez. Com a desistência de Huck, as forças do chamado “Centrão” ficaram de mãos abanando. Na realidade, não têm candidato a presidente da República com densidade eleitoral satisfatória.
Agora mergulhado em sua própria sucessão, Hartung viu de cara o fantasma da candidatura da senadora Rose de Freitas, logo rebatida por seu fiel escudeiro Lelo Coimbra, presidente estadual do MDB, em uma atitude antidemocrática e autoritária.
O cenário sombrio se torna mais denso com o crescimento das articulações do ex-governador Renato Casagrande (PSB), fortalecido com as alianças do PPS e do PT. Rose e Casagrande invadem o território de Hartung, que já não impera tanto como ele gostaria. 
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