O diálogo inadiável

O governador eleito tem uma nova chance de conduzir a gestão pública com base em conceitos de democracia

Os movimentos de mudança são barulhentos, ainda mais neste final de governo, quando se encerra a era de uma gestão que não admite o contraditório. Ainda que não superada totalmente, a crise entre a equipe de transição entre o governador eleito, Renato Casagrande (PSB), e o atual, Paulo Hartung (sem partido), segue no fluir dos acontecimentos vistos como naturais para períodos como esse. 

O governador eleito, ao estabelecer pontes de contatos e um confronto direto à gastança do governo na reta final do mandato, na questão dos convênios com prefeituras e os repasses em única parcela, demonstra disposição em introduzir no sistema de gestão do Estado um modelo mais democrático, impensável no modo imperial de governar que se encerra em dezembro próximo.  

Com essa postura, Renato Casagrande abre uma perspectiva positiva. De um lado, trazendo à tona comportamento inadequado do atual governo, de outro acenando para setores essenciais da sociedade, principalmente quando destacou a necessidade de dialogar na coletiva de imprensa de quinta-feira (22), ao anunciar os nomes que irão compor o comando da segurança pública capixaba.   

Ele falava da greve da Policia Militar, deflagrada em fevereiro de 2017, com resultados trágicos, revelando um retrato cruel do autoritarismo do poder público. Foram mais de 200 homicídios registrados no Estado, famílias debaixo de sofrimento extremo, terror nos lares e nas ruas.

A determinação de levar as punições aos manifestantes até as últimas consequências, comportamento da atual gestão, gerando uma série de problemas às famílias de policiais e aumentando o nível de segurança para a população, parece que será alterada a partir de janeiro de 2019. 

Casagrande afirmou que no depender dele haverá abertura para que situações possam ser revistas. Até mesmo porque, se a situação chegou ao ponto extremo da greve, outras responsabilidades devem ser apuradas, entre elas, o permanente risco de morte dos policiais por falta de equipamentos de segurança, além de questões salariais. 

O governador eleito tem uma nova oportunidade de desenvolver um trabalho sem os equívocos do atual governo. Assim ele procedeu em 2010, quando sucedeu Paulo Hartung no governo e tentou dar continuidade ao seu modo de governar e esfacelou-se. 

A escolha do secretariado, no entanto, revela dificuldades normais dessa fase: as articulações políticas eleitorais, que levam Casagrande a retardar  a montagem de sua equipe, a fim de acomodar aliados e enfrentar pressões de setores importantes na estrutura econômica e social do Estado, que pretendem manter influência nos rumos do governo.

À população, resta esperar o mês de dezembro, para saber se as conversas com esses setores conduzirão o novo governo à fase que todos apostaram nas urnas, com o cumprimento de compromissos de campanha.   
 

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