O estrago

PT terá que encontrar saídas adequadas diante da ameaça de se transformar, em pouco tempo, em mero coadjuvante no processo eleitoral

A condenação previamente anunciada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal (TRF-4), de Porto Alegre, provocou um estrago de dimensões estratosféricas em todos os setores do Partido dos Trabalhadores. Agora, o PT terá que encontrar saídas adequadas diante da ameaça de se transformar, em pouco tempo, em mero coadjuvante no processo político eleitoral. 
 
A investida da máquina oficial em todas as suas instâncias, a participação ativa dos meios de comunicação corporativos e a omissão de dirigentes petistas quanto às questões ideológicas partidárias formaram um extenso e profundo terreno de areia movediça. Parece seguro, mas, a qualquer pressão, desaba e engole o desavisado caminhante. 
 
No cenário da política capixaba, o PT perdeu o bonde da história ao apostar no sistema de coalizão, seguindo a tendência da direção nacional. Só que, no Espírito Santo, as alianças firmadas com as forças antagônicas foram mais intensas. 
 
Assim foi, por exemplo, a união do ex-prefeito de Vitória e ex-deputado federal João Coser com o grupo político do governador Paulo Hartung, de quem foi secretário até bem pouco tempo. 
 
Esse é o caso mais notório, motivo de racha interno, cujo final pode resultar em redução de quadros importantes no partido. Entre eles, o deputado federal Givaldo Vieira, que pode estar com um pé no PSB, colocando em risco até mesmo a marca de sua trajetória política ligada a movimentos sociais.
 
Existem outros exemplos, como a submissão do deputado estadual Nunes ao Palácio Anchieta. Já Padre Honório mantém postura independente, focada no mandato. Às vezes vota com o governo, às vezes não.
 
Na real, mesmo, o PT terá que se virar sozinho, mesmo aliado ao ex-governador Renato Casagrande (PSB), em quem terá que se encostar nas eleições majoritárias de outubro desse ano.
 
Caso se confirme a saída de GivaldoVieira, sobra ao PT, com reais chances de vitória para a Câmara Federal, o ex-prefeito João Coser e o deputado federal Helder Salomão, candidato á reeleição. 
 
Helder, ex-prefeito de Cariacica, é o nome do PT capixaba que não sofre  abalos decorrentes do massacre contra a sigla.Com ficha limpa na prefeitura e desenvolvendo um mandato equilibrado em Brasília, ele pode se movimentar livremente em seu eleitorado, principalmente entre os fieis da Igreja Católica. 
 
O terreno é de areia movediça para o PT no Espírito Santo e, dependendo dos movimentos que fizer, poderá se reerguer logo ou permanecer por um bom tempo inerte, à espera de ajuda. Risco, também, de morte política de algumas lideranças petistas que estavam no partido equivocados, por atolamento ideológico. 
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