O Guardador de Carros

Lá embaixo, João lia as primeiras páginas do livro enquanto aguardava o próximo a estacionar

Indo para casa numa tarde, vi uma pessoa sentada em uma cadeira quebrada lendo um livro. Já me chamou atenção. Na outra vez, passei e lá estava ele lendo o livro. Parei e perguntei: "Esse livro é sobre o que?"." É sobre uma menina que sonhava ser cientista", disse ele, e completou, "é muito bom livro". Continuei o caminho.
 
Na próxima vez, passei e o cumprimentei. Depois o vi, da varanda de casa, em diversos momentos: conversando e gesticulando com um homem de bicicleta, lavando um carro, comendo uma marmita e, por fim, tomando um banho de lata, ali, na rua, no meio dos carros estacionados.
 
Outro dia, indo pra casa com as meninas, ao passar por ele, sempre segurando um pano, uma delas disse: “Oi João!” Vi que o nome dele era esse e que elas já o conheciam. Fiquei meio frustrado.
 
E com tempo quente insuportável, fico na varanda ao entardecer, vendo os aviões chegando e olhando os movimentos do João lá embaixo. Vi que ele, como flanelinha, não aborda quem estaciona ou sai, apenas aparece orientando a manobra e nada pede. Uns dão algum dinheiro, outros não.
 
Um dia ele aparece com uma imensa caixa de bicicleta (embalagem grande) e notei que aquilo virou seu guarda roupas. Tira dali de dentro, camisas, bonés, sandálias, sabonete, escova de dente e os apetrechos de lavar carros. A água, a vizinhança fornece.
 
Numa tarde quente, porém com ventos, estava olhando ele se banhar lá embaixo, como consegue fazer isso na rua. Enxugou-se e sumiu. Depois voltou e sentou. Falei comigo mesmo: Vou fazer uma coisa e vai ser agora. Peguei um livro, um panetone que estava na caixa e desci.
 
Ao chegar perto dele, estava consumindo uma marmita de macarrão. Disse, espero não interromper sua refeição. Sorrindo, ele disse que estava tudo bem. Então passei a sacola. Ele a pegou, olhou e disse: “Tem até um livro”.

Agradeceu e retruquei. “É para você, você parece uma ser digno”. Virei as Costas e voltei para casa e para a varanda.
 
Lá embaixo, João lia as primeiras páginas do livro enquanto aguardava o próximo a estacionar.
 
PARABÓLICAS
 

Aloísio Ovelha deixou uma lacuna no rádio alegre e no coração triste da gente.
 
Jorge Buery deixou a direção da Rádio ES e educadamente comunicou aos amigos. Não há de faltar trabalho a um grande profissional, em todos os sentidos.
 
Ted Conti agora virou celebridade política. Vamos ver como um menino nascido em Muqui se comportará na imensidão política de Brasília.
 
Vamos ver se a nossa Rádio Espírito Santo estará em boas mãos nesse governo de Casagrande.
 
 
MENSAGEM FINAL
“Esta é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito.“ Millôr Fernandes
 
ACESSE: www.jrm50anos.blogspot.com  - Eu Sou Uma Longa História
 
 

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