O lado obscuro da política

Investigações em curso mostram como aproveitadores usam a atividade política para defender interesses particulares, em detrimento da coisa pública

O mês de maio está repleto de maus exemplos de como os aproveitadores usam a atividade política para defender seus interesses particulares em detrimento da coisa pública. De Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Brasil afora os casos que vieram à tona se multiplicam, não ocorrendo em maior número em decorrência das barreiras erguidas pelos órgãos de controle e fiscalização.

Na última quinzena, alguns chamam a atenção, por sua proximidade com áreas de forte poder político e, também, possuidoras de recursos monetários provenientes de riquezas naturais que enchem os cofres públicos. Estes são alvo da rapinagem praticada por integrantes da classe política e empresários investigados por corrupção. 

Os mais escandalosos foram registrados nos municípios de Presidente Kennedy e Guaçuí, no sul do Espírito Santo, situados na área de abrangência do Parque das Baleias, unidade altamente produtiva do pré-sal, geradora de riquezas que não são utilizadas como deveriam, ou seja, em benefício das comunidades.

Servidores públicos, empresários, vereadores e chefes de executivos municipais desses locais se encontram presos. São acusados de fraude, lavagem de dinheiro e outros crimes, que os levam a gozar uma vida de privilégios em meio à pobreza do restante da população. 

No caso da prefeitura de Guaçuí, o Mistério Público identificou uma irregularidade praticada há mais de 20 anos, o que revela um lado obscuro da gestão pública que passa por várias administrações, sem que tenham sido adotadas medidas de fiscalização capazes de gerar punição aos criminosos. 

Igualmente grave é o escândalo na Santa Casa de Misericórdia do município, onde além da pilhagem de recursos financeiros, pesam sobre os denunciados e presos a investigação sobre a responsabilidade por 22 mortes de pacientes submetidos a sessões de hemodiálise. Geralmente das classes mais pobres, essas pessoas, que sobrevivem sem o amparo previsto na Constituição Federal, são vistas como escória da sociedade e assim são tratadas. 

Já em Presidente Kennedy, denúncias de fraudes e corrupção têm sido a máxima há anos, registrando escândalos tanto na gestão anterior de Reginaldo Quinta, quando foi deflagrada a Operação Lee Oswald, como da sobrinha dele, a atual prefeita afastada e presa, Amanda Quinta Rangel (PSDB). Embora hoje rompidos, Amanda é produto político do tio.

As ações do Ministério Público vêm levantando casos como esses em todo o Estado e espera-se que as investigações possam prosseguir sem a interferência de detentores do poder político e econômico. Para que, como em vários outros casos existentes no Brasil, não se desenvolvam com morosidade, por envolver figuras coroadas da administração pública. 

Exemplo é o que não falta, sendo um dos mais representativos atualmente a parceria do senador Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair, e o ex-policial Fabrício Queiróz, que envolve a família presidencial. Há meses nos escaninhos judiciais, só veio à tona agora por força das redes sociais e dos partidos de oposição.  

Em Guaçuí, Presidente Kennedy, Rio, Brasília, seja onde for, o poder político obscuro está presente e atua para livrar o que é seu. 

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