O poder concentrado

Questionamento levantado pelo deputado Sergio Majeski (PSB) sobre as prévias é uma oportunidade de debater questões relevantes

A escolha dos candidatos majoritários para concorrer às eleições de outubro abre a possibilidade de uma nova e necessária discussão sobre o poder concentrado nas cúpulas dos partidos políticos, totalmente contrário a uma democracia. O critério de escolha, copiado dentro de uma visão distorcida da política norte-americana, faz das prévias nada mais do que prática esvaziada do ponto de vista democrático.  

O questionamento levantado pelo deputado estadual Sergio Majeski (PSB) chega em boa hora e pode representar, caso alcance a repercussão desejada, uma excelente contribuição ao debate sobre as prévias partidárias no Brasil, que ainda estão muito longe da forma original da qual foi copiada, nos Estados Unidos, inserida no contexto dos partidos políticos daquele país em 1920. 

Não quero com isso legitimar a neocolonização norte-americana no Brasil, a postura nociva ao redor do mundo, a subserviência ridícula de Jair Bolsonaro e de seus ministros e a invasão sutil levada a efeito no Brasil. Praticam uma perversa manipulação da sociedade brasileira, que a leva a submeter-se aos apelos mágicos da alardeada virtude, em todos os aspectos, dos Estados Unidos, assumindo posicionamento de vassalo e ampliando o antigo complexo de vira-latas. 

Refiro-me, única e exclusivamente, às prévias partidárias, onde sempre há pelo menos a possibilidade de um debate aberto, mais participativo, como plataforma para levar à tona questões da sociedade. Com isso, há a oportunidade de o eleitor apresentar suas demandas e colocar os candidatos à prova quanto a sua capacidade e preparo para o exercício da gestão pública, sem que isso impeça o mover da articulação política. Apesar do ambiente às vezes hostil, questões são debatidas. 

Esse perfil do poder político se torna mais visível em épocas eleitorais, como a que estamos vivendo. Nesse momento, o distanciamento dos partidos para com a sociedade civil cresce e vêm à tona velhos problemas, sempre ignorados, uma vez que o nível de abrangência partidária não ultrapassa círculos menores de interesses de grupos fechados.  

O debate, no Brasil, desapareceu do cenário partidário, exceção a alguns partidos de esquerda, em que o tom democrático é dado a partir do momento em que as bases são chamadas a opinar por meio da apresentação de propostas fundamentadas na realidade. Fugir do propósito de aprofundar as questões a fim de obter as respostas sempre acaba em resultados desastrosos, o governo Bolsonaro está aí mesmo para comprovar essa afirmativa. 

O próprio PSB, partido de Majeski, passou por isso, ao substituí-lo em 2018 como candidato ao Senado pelo “novato” Marcos do Val, que depois de eleito se mudou de mala e cuia para o Podemos e cujo mandato em nada contribui para a sociedade, pelo menos até agora. 

O questionamento de Sergio Majeski quanto às prévias partidárias está dentro do tempo e representa muito mais do que sua pretensão de ser prefeito de Vitória. O assunto é relevante, por sua abrangência, e deveria merecer considerações da Justiça eleitoral. 

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