O sobressalto

Se não existem muitos poderosos envolvidos, por que a correria?

Quarta-feira (14) foi dia de correria, espanto e temor nos círculos palacianos do Espírito Santo. Tudo isso por conta da operação da Polícia Federal  “Voto Livre”, a primeira no Brasil a investigar a disseminação de notícias falsas na internet, as chamadas fake news, na linguagem do americanismo tão em voga no País.
A quinta-feira amanheceu aparentemente calma, com exceção do principal implicado, Evandro de Figueiredo Boldrine, demitido para demonstrar que o caso será tratado com rigor pelo governo, segundo as palavras da secretária de Comunicação, Andréia Lopes, ativa participante da coletiva de imprensa da Polícia Federal. 
Um caso atípico em que um representante do investigado, pelo menos em tese, ocupa o mesmo espaço para dar sua versão e dizer que o governo não tem nada com isso, apesar de o trabalho investigativo estar apenas começando. Certamente, nunca se viu isso.
Há que ser considerado que os celulares e computadores apreendidos ainda serão periciados num período de 30 dias e somente a partir desse momento é que se terá uma noção mais apurada dos acontecimentos.
É fato que, à primeira vista, como declarou o delegado da PF, não existem indícios envolvendo o governo e a figura de Paulo Hartung, principal beneficiário com a divulgação das notícias falsas, juntamente com o deputado estadual e apresentador de TV, Amaro Neto, candidado do governador ao Senado.
Portanto, como entender o sobressalto e a correria para apagar o incêndio provocado pela operação “Voto Livre”? Esse comportamento seria plenamente justificável caso os personagens chamuscados pelas chamas pertencessem ao círculo de poder do governo.
Como as investigações ainda se encontram em fase inicial, figuras como o governador Paulo Hartung e o deputado Amaro Neto, diretamente beneficiados com a divulgação da fake news, estão a salvo, pelo menos por enquanto.  
De igual modo, o secretário de esportes, Roberto Carneiro, o subsecretário Neucimar Fraga e outros cabeças coroadas do círculo de poder do Anchieta. 
Somente a investigação poderá comprovar se existe ligação ou não entre o assessor demitido e os assessorados, como parte de estratégias eleitorais utilizando práticas comuns em passado recente, hoje consideradas delituosas. 
O sobressalto da secretária, considerando a inexistência de culpabilidade dos assessorados, se mostra totalmente desnecessário e só encontra justificativa se houver algum caroço nesse angu, que só as investigações irão trazer à tona.
Aí, vira mesmo um caso de polícia, como indicam as relações do servidor demitido, o acesso livre aos gabinetes dos Palácios e aos bastidores do poder. 
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