Parece, mas não é!

Poderosos obstáculos dificultam os movimentos de Hartung para as eleições de outubro

No cenário nacional, a ausência do governador Paulo Hartung (MDB) na inauguração do aeroporto de Vitória, a maior obra pública entregue à população do Espírito Santo nas últimas três décadas, foi considerada um ato político de coragem e ética, de sensatez diante das falcatruas de Temer, que ainda ocupa o cargo de presidente da República, não se sabe até quando.

É o que parece, mas não é bem assim que a viola toca. O enfrentamento de Rose e a desistência de Hartung demonstram de uma forma bastante clara que as eleições deste ano reservam outras surpresas desse tipo, não necessariamente com a senadora, mas com os outros atores da cena política, dispostos a romper as barreiras do autoritarismo, da arrogância e da submissão ao corporativismo de poderosos grupos.

Por aqui, nas terras capixabas, o que se observa é que a estratégia do governo não colou, pois não é segredo para ninguém que o motivo da ausência está ligado à guerra explícita travada entre Hartung e a senadora Rose de Freitas (MDB), como, vale lembrar, foi citado na coluna anterior, na disputa para ver quem seria o anfitrião da festa e, consequentemente, colheria maiores dividendos eleitorais. Rose levou.

A figura do vice-governador César Colnago (PSDB) na solenidade de inauguração do aeroporto e o palavreado de Temer, quando se dirigia a ele - não sabia se o chamava de vice ou de governador, lembrando o desequilíbrio em que se encontra o atual governo, sem muitos caminhos a escolher para enfrentar o bloco de oposição que se forma contra ele, especialmente o liderado pelo prefeito de Vila Velha, Max Filho (de saída do PSDB).

Na questão partidária, a base de sustentação de Hartung não é das melhores: tem seu partido, o MDB, onde Rose também transita bem, apropriou-se do Podemos, via deputado estadual Hudson Leal, e assumiu o controle do PRB, da Igreja Universal, dando o controle ao secretário de Esportes, Roberto Carneiro.

Esse partido abriga também uma das apostas ao Senado, o apresentador de TV e deputado estadual Amaro Neto e, por último, Hartung coordenou a filiação de seu velho protegido, Rodney Miranda, ex-prefeito de Vila Velha, de reduzida densidade eleitoral.

No PSDB,  importante base do governo, o cenário é o pior possível, desde a desastrosa intromissão de Hartung, em 2017, para  filiar o secretário de Agricultura, Octaciano Neto, e garantir a Presidência ao vice-governador César Colnago, que resultou em debandada geral, deixando o partido à míngua. E o vice está  mais perdido do que cego em tiroteio, sem saber qual o caminho a seguir até outubro.

O quadro é sombrio para o governo, embora não seja sensato ignorar a habilidade política de Hartung, com três mandatos de governador e um currículo rico em eleições vitoriosas.  No entanto, como na inauguração do aeroporto, sua figura passa a ser dispensável na condução das coisas do Estado, como ele mesmo reconheceu, deixando de comparecer à festa.

Uma observação mais demorada da cena mostra que não foi para se impor como figura que preza a ética e a moralidade e quer distância do presidente denunciado, conforme deixou parecer na confusa nota divulgada no final da tarde do dia da festa. Os malfeitos de Temer são bastante antigos e, nem por isso, Hartung deixou de se esforçar para estar junto com ele no avião presidencial.

Só que, na aeronave não havia lugar para ele, assim como seu assento nas eleições como político imbatível não está de todo garantido.    

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