Para onde seguir?

A maioria dos dois milhões de contribuintes do INSS, 15 mil no Espírito Santo, se vê impotente para reagir aos desmandos do governo

Como entender as filas no balcão digital do INSS, somadas às que se formam diariamente nos postos de atendimento espalhados no País? À primeira vista, são falhas no sistema, como explicam os canais de comunicação oficiais e, surpreendentemente, obtêm êxito nessa tarefa, principalmente pela ausência de senso crítico na camada da população mais atingida. 

Objeto direto da manipulação praticada por veículos de comunicação patrocinados pelo governo, esse contingente de trabalhadores é impedido de adotar posicionamentos mais firmes, necessários ao extremo para parar o avanço do desmanche da estrutura de proteção ao trabalho e ao trabalhador e da extinção de direitos adquiridos por meio de lutas. 

A maioria dos dois milhões de contribuintes do INSS, 15 mil no Espírito Santo, mais os que recebem Benefício de Pensão Continuada (BPC), se mostram impotentes para esboçar qualquer tipo de protesto e, desse modo, só resta a espera imposta por um conformismo nocivo, que aceita como natural essas coisas e desconhece as causas e os verdadeiros objetivos das “falhas no sistema”.  

São os lumpemproletariado, como Marx descreveu a camada flutuante de trabalhadores. Sem recursos econômicos e, principalmente, destituídos de consciência de classe, viram alvo fácil para manipulação midiática, que os leva a aceitar medidas prejudiciais à sua sobrevivência, adotadas pela classe dominante. Entre eles, a alteração da estrutura da seguridade social, o que inclui a privatização do INSS, como parte da política ultraliberal de Bolsonaro.  

Essa situação ocorre no Brasil de forma mais intensa a partir dos últimos quatro anos, desaguando na eleição de lideranças alinhadas ao capital financeiro, com matizes fascistas explicitadas em relacionamentos e atitudes impróprias a agentes públicos ocupando os mais altos cargos da nação. 

O estímulo à violência, o ataque diário a jornalistas e o estreito relacionamento com áreas da milícia, entre várias outras atitudes, comprovam a afirmativa, ainda mais fortalecida com o estarrecedor vídeo do ex-secretário de cultura Roberto Alvim parafraseando o ministro da propaganda de Hitler, Joseph Geobbles. 

Nesse cenário, as eleições de outubro começam a agitar o mundo político, abrindo a possibilidade de mudança nas prefeituras e câmaras de vereadores visando às eleições gerais de 2022. Cabe à oposição um papel essencial, mas, para isso, é preciso sair do individualismo, com urgência, e abraçar as causas coletivas, a fim de encontrar um caminho a seguir
 

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