Perigo na 2ª Ponte

Mais de um ano depois do alerta do Crea-ES, é inadmissível que ameaça à população persista

Será que estão esperando desabar para adotar providências? A pergunta se relaciona ao descaso em relação à manutenção da estrutura da Segunda Ponte, que liga Vitória a Vila Velha e Cariacica. A situação de perigo permanece em viés crescente, mais de um ano depois de feita a denúncia por engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-ES). 

Desde o ano passado, o perigo ronda quem utiliza a Segunda Ponte, uma das mais movimentadas da Grande Vitória, mas até hoje os órgãos responsáveis adotaram apenas medidas paliativas, superficiais, deixando a  corrosão seguir adiante, atingindo locais de sustentação da estrutura, como os pilares, com destaque para as partes submersas. 

O Departamento Estadual de Rodagens (DER-ES) e o Departamento Nacional de Infraestrutura (DNIT) prometeram adoção de medidas necessárias, desde janeiro de 2018, até agora adiadas, numa clara demonstração de descaso. O assunto também movimentou a Assembleia Legislativa no ano passado, à frente o deputado Marcelo Santos (PDT), mas tudo não passou de ações mais voltadas para a mídia, sem compromisso formal. 

“A estrutura vistoriada, em geral, apresenta condições físicas preocupantes, na medida em que apresenta anomalias construtivas com origem de fenômenos da natureza, caracterizada por desplacamento do cobrimento do concreto com armadura em estado avançado de corrosão, com parte destas armaduras tendo perda total de seção”, diz o relatório do Crea-ES, de dezembro de 2017 - isso mesmo, 2017!

O que houve, até agora, foram serviços superficiais nas juntas de dilatação da ponte, que apresentam abertura maior do que o normal, realizados pelo DER, depois de muita pressão. Quanto ao DNIT, permaneceu omisso, situação que aumenta o nível de comprometimento, por falta de um estudo mais detalhado para medir o grau de agressividade no concreto e nas ferragens e a imediata recuperação das partes afetadas. 

Um engenheiro responsável pela vistoria realizada no ano passado chegou a declarar o registro de situações críticas envolvendo algumas partes da laje, inclusive já em estado de ruína. Segundo ele, essa combinação de elementos deteriorados e a carga excessiva que passa sobre a ponte, num ambiente altamente agressivo, que é o marinho, pode levar a uma situação de precariedade, com sérias ameaças. 

O perigo apontado pelo levantamento é preocupante e, por isso, deveria estar acima de entraves burocráticos e questões políticas que separam agentes públicos. Eles são encarregados de manter dentro das normas de segurança os equipamentos e serviços disponibilizados à população, para que possam ser evitados crimes como os de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, marcado pela reincidência da Vale e conivência dos órgãos público de fiscalização.

Não encontra justificativa, portanto, a postura dos órgãos responsáveis pela Segunda Ponte, que, para piorar a situação, não é a única a oferecer riscos à população no Espírito Santo. Um tema como esse não pode servir apenas de vitrine política. É preciso comprometimento e pressa.

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