Perigoso

O presidente da República caminha no fio da navalha da História

Hipócrita e provinciano, o discurso do presidente da República do Brasil na ONU, nessa terça, monopolizou as atenções da mídia nacional e internacional, deixando rolar para escanteio, sem apelação, a excelente entrevista do governador do Maranhão, Flavio Dino, ao programa Roda Viva de segunda-feira entre 22/23h30.

Dino, ex-juiz e ex-deputado federal, fez um pronunciamento de candidato presidencial. Bolsonaro, com seu discurso, colocou mais um pouco de lenha na fogueira em que arde a imagem internacional do Brasil. Os dois representam os extremos que separam a civilização da barbárie.

Enquanto Dino defendeu a priorização do bem estar da maioria pobre, o que exige a defesa dos direitos humanos elementares e a geração de empregos, Bolsonaro vociferou como se estivesse falando a uma turma de recrutas a quem devesse passar ordens de comando, tá ok?

O pronunciamento radical não foi no pátio de um quartel; foi na assembléia geral das Nações Unidas, a organização internacional que editou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Nunca houve no Brasil um governante tão anacrônico. Fora da casinha é a expressão que mais lhe corresponde. Suas falas lembram programas de humor da TV. Pensamos: ora, bolas, não devemos levar a sério o que diz o falastrão inconsequente, mas o fato é que ele foi eleito presidente até 1 de janeiro de 2023.

Faltam três anos e três meses ou 1.190 dias para terminar seu mandato, tá ok?

Ora, sabemos que Bolsonaro não é capaz de concatenar seus ímpetos verbais. Precisa que alguém ponha as coisas no papel ou na telinha. Quem? Provavelmente um dos seus filhos, se não todos os três, mais algum assessor com coragem ou cara-de-pau para lembrar alguma coisa esquecida, mas não há dúvida: foi um pronunciamento afinado com a lógica beligerante que mora no coração e no fígado do ex-capitão do Exército.

Tanto no Brasil como no mundo, a reação imediata foi de surpresa e espanto ao ver o mandatário brasileiro esbravejar sobre as queimadas da Amazônia (“espontâneas nessa época do ano”), o esforço das ONGs para manter os índios como “homens das cavernas”, “o sensacionalismo da mídia”, Cuba, Venezuela, “o colonialismo dos países europeus...”

Foi bom saber o que o presidente pensa e sente em relação a problemas internos como o direito dos índios a participar do modelo de prosperidade dos brancos, etc.

É patética sua visão de que, nos governos do PT, “o país esteve muito próximo do socialismo”. É uma fala distorcida que repercute a “guerra fria” dos anos 50/90.

Na cabeça do presidente brasileiro, o Muro de Berlim ainda está de pé.

Na realidade, Bolsonaro se espelha em Donald Trump, o histriônico presidente dos EUA.

Ao expressar a óptica neoliberal fiel à extrema direita, se aproxima do fascismo. É aí que mora o perigo.

LEMBRETE DE OCASIÃO

“Enganar é tudo na guerra”.
Xenofonte, citado em 1959 por Golbery do Couto e Silva em “Geopolítica do Brasil” (Livraria José Olympio Editora, 3ª ed., 1981).  

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