Política e autoajuda

Bernadinho do vôlei faz palestra para motivar líderes e gestores do governo Hartung

Na falta de uma agenda mais dinâmica, ao contrário de seus oponentes Renato Casagrande (PSB) e Rose de Freitas (Podemos), e para aproveitar o meio do feriado de 1º de maio, nada melhor do que uma palestra motivacional para inspirar a equipe de líderes e gestores do governo.  
Foi o que fez o governador Paulo Hartung, ao reunir no palácio Anchieta nesta segunda-feira (30), todo o seu time para ouvir o ex-técnico da Seleção Brasileira de Vôlei e economista Bernardo Rocha de Rezende, o Bernardinho, um dos mais recentes integrantes da nova velha política que se desenha no País.
“Excelência, conquista e sustentabilidade” foram os pontos básicos da palestra de Bernardinho, lugares-comuns usados por centenas de outras estrelas desse mercado que envolve mais 80 % das empresas de médio e grande porte no Brasil. Contratam este tipo de serviço para impulsionar a motivação em seu quadro de pessoal.
Vitorioso nas quadras de Vôlei, Bernardinho não se apresenta tão seguro assim como político: “Tenho dúvida real em relação à minha capacidade para fazer aquilo que se tem que fazer. Eu vejo pessoas muito mais preparadas do que eu", disse ele em recente entrevista sobre sua pré-candidatura a prefeito do Rio pelo Partido Novo.
Sua vinda ao Estado a convite do governo é fruto das articulações de Hartung em torno de grupos inseridos na chamada nova política, que o tornaram bem próximo de nomes como o do economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, o apresentador de TV Luciano Huck e outras cabeças coroadas da direita no cenário político brasileiro.
Palestras motivacionais, como parte desses movimentos de autoajuda tão em moda, têm sua base de sustentação em seus apresentadores e não, necessariamente, nos bons resultados de gestão. 
Exemplo claro pode ser constatado justamente no governo de Hartung. Depois de três anos de arrocho, com prejuízos incalculáveis em várias áreas, destacando as de educação, saúde e segurança, a população desperta e questiona o modelo da administração, por sentir na carne os impactos negativos.
Esse contexto desfez a engenharia eleitoral construída por Hartung, acostumado a exercer o controle do processo eleitoral, que lhe dava a unanimidade e, assim, a vantagem nas urnas, sem muita preocupação com adversários. A má gestão mudou o quadro e, neste ano, a situação não se apresenta tão cômoda como antes. 
A esta altura, como na quadra, é preciso abrir o playoff, para usar a linguagem do vôlei, que mira também nos resultados negativos dos adversários para alcançar a classificação no torneio. No entanto, nem sempre isso dá certo, como ficou claro em repetidas derrotas da Seleção Brasileira de Vôlei sob o comando de Bernardinho, apesar do favoritismo.
Situação bem parecida com o que ocorre no Estado. Apesar de ter o controle da máquina e o aparente favoritismo, os resultados da gestão  colocam Hartung em posição de desvantagem na quadra do jogo político-eleitoral. Nesse cenário, é  preciso algo mais que alcance as pessoas, principalmente, que neutralize  o avanços dos adversários Renato Casagrande e Rose de Freitas.
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