Quem é o inimigo?

Defensores do projeto ''Escola sem partido'' se calam diante da criação de faculdade por um partido político

No momento em que a população assiste a um embate promovido por ativistas de sistemas religiosos empunhando a bandeira da “Escola sem partido”, na esteira do extremismo político atrasado, destrutivo e antidemocrático, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) aprova o funcionamento da faculdade Republicana, do Partido da República (PRB), braço político do empresário Edir Macedo, dono, entre outras empresas, da Igreja Universal e TV Record

Não se assiste a nenhum protesto, crítica ou parecer contrário dos que defendem projetos dessa  “nova escola” que tramitam no Congresso Nacional, em assembleias legislativas nos estados e câmaras de vereadores, inclusive a de Vitória. 

A criação da faculdade Republicana representa, sem dúvida, a linha de frente de uma guerra contra os movimentos apontados como esquerdistas, ou “esquerdopatas”, “comunistas” e “progressistas”, na qual se encaixa a hipocrisia de um moralismo oco que despreza questões essenciais, como pobreza, desigualdade social, concentração de renda, entre outras profundamente arraigadas nas bases de manutenção do poder dominante.

 A nova faculdade sedimenta o caminho da “escola com partido” em uma visão excludente e opositora a toda a base do cristianismo e do humanismo, sempre pronto a acolher o Outro e não a vê-lo como inimigo que deve ser exterminado. A história registra crueldades impostas a povos e nações a partir dessa noção extremada, desde tempos mais remotos até os dias atuais.  

O extermínio dos armênios, o genocídio dos judeus por Hitler, guerras no Iraque, Síria, a ditadura de 64 no Brasil e o cenário político atual, aqui e nos Estados Unidos, possuem um fundo de extremismo religioso. 

Esse posicionamento justifica posições de modernos fariseus, apoiadores e participantes de uma classe política voltada aos interesses de seus grupos, que nem sempre são os da comunidade que representam. 

Justamente essa postura foi o que motivou o combate de Cristo aos fariseus, partido formado por religiosos puritanos, alinhados com as elites da época, com intensa participação nas decisões de Estado e no acolhimento à dominação do Império Romano. 

Repete-se no Brasil, com todos os ingredientes, o mesmo alinhamento de atuais lideranças religiosas com as elites, sem levar em conta outros fatores, além das bandeiras escolhidas para manter-se sob holofotes, o que explica a aceitação de aliados sem qualquer comprometimento verdadeiro com a doutrina que professam. 

Em tempos de pós-verdades, no qual o relativismo assume papel preponderante, várias denominações religiosas enveredam por esse caminho, que resulta em posturas condenatória ao oprimido, pela cor da pela ou crença que professa, rejeição de todo movimento pela igualdade, valendo-se, para tanto, de trincheiras formadas pelas elites dominantes sob a capa de uma falsa moralidade. 

Representam a mesma linhagem de fariseus da época de Cristo, com alto poder de destruição, haja vista que se aliam aos defensores do armamento indiscriminado da população e aos que destroem o meio ambiente em nome do progresso e, assim, escravizam e matam pessoas, pois o Outro, para eles, nada importa. 

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2 Comentários
  • Márcio Machado da Silva , sexta, 16 de novembro de 2018

    Penso que o "Escola Sem Partido" deveria se chamar "Escola com Todos os Partidos", com todas as linhas de pensamento; contrapondo à hegemonia cultural da esquerda, que não admite pensamento diferente do dela.

  • Renato , sábado, 17 de novembro de 2018

    Penso que deveria se chamar "Escola do Pensamento", em referência à Polícia do Pensamento do romance distópico 1984. Mas para manter a rima, também poderia se chamar "Escola Sem Sentido".